VIFF 2026: 'Nina Roza', 'In the Heart of the South' e 'How We Stand' lideram os grandes vencedores do Festival de Vancouver
Confira os grandes vencedores do 45º Vancouver International Film Festival (VIFF), com destaque para as produções 'Nina Roza', 'How We Stand' e mais.



O cenário do cinema independente global acaba de celebrar um de seus momentos mais vibrantes do ano. Na noite da última quarta-feira, 7 de outubro de 2026, o prestigiado Festival Internacional de Cinema de Vancouver (VIFF) anunciou os vencedores de suas mostras competitivas juradas em sua 45ª edição. Celebrando a diversidade cultural, a resiliência de comunidades originárias e a experimentação de novas linguagens visuais, o júri consagrou títulos potentes como o drama de imigração Nina Roza, a produção de forte apelo estético In the Heart of the South e o tocante drama familiar How We Stand.
O VIFF se consolidou ao longo das décadas como uma plataforma essencial para o cinema autoral, conectando produções canadenses ao mercado internacional. Com o encerramento oficial do festival marcado para o dia 11 de outubro, a revelação dos prêmios jurados direciona os holofotes para as obras que devem ditar o ritmo do circuito de festivais e premiações nos próximos meses.
O Triunfo da Identidade e do Sentimento de Lar em "Nina Roza"

O principal prêmio do festival, o Summit Award, foi concedido a Nina Roza, longa-metragem dirigido por Geneviève Dulude-De Celles. A produção foi amplamente elogiada pelo júri por sua abordagem sensível e compassiva acerca da experiência do imigrante, identidade e o conceito de pertencimento.
A trama acompanha um protagonista que retorna à sua terra natal pela primeira vez em 28 anos, motivado pelo mistério que envolve um jovem prodígio artístico. O júri destacou que o filme consegue tocar em uma ferida universal: "Todos nós sabemos o que é ansiar por um lar. Ficamos encantados com a direção deste filme, as atuações autênticas, a cinematografia deslumbrante e a trilha sonora evocativa".
Além do prêmio principal para Dulude-De Celles, a categoria concedeu uma menção honrosa especial para o filme Strong Son, do diretor Ian Bawa, sinalizando a força das narrativas de relações familiares nesta edição.
A Força do Cinema Autóctone e Regional no Horizon e Arbutus Awards
No Horizon Award, focado no melhor do cinema canadense emergente, o grande vencedor foi In the Heart of the South, dirigido por Nyla Innuksuk. O júri descreveu a obra como um "exemplo robusto do cinema canadense contemporâneo", tecendo elogios entusiasmados às atuações centrais de Anna Lambe e Zorga Qaunaq, além de destacar o apuro técnico e a "abordagem cinematográfica polida" da diretora. O filme Clubfoot, de Nathan Donovan, levou a menção especial do júri nesta categoria.
Já o Arbutus Award, que reconhece especificamente o cinema produzido na Colúmbia Britânica (província onde ocorre o festival), coroou How We Stand, de Marie Clements. O filme narra a história de irmãs separadas por uma tragédia, mesclando realismo e surrealismo para abordar traumas históricos profundos.
Segundo a justificativa do júri, o mérito de Clements está em trazer uma história dolorosa para um foco humano vívido e real: "Seu estilo surrealista, narrativa hábil, coração e heroínas poderosas conseguem, ao mesmo tempo, entreter, educar e exigir autorreflexão — tanto como indivíduos quanto como sociedade". A menção honrosa da categoria Arbutus ficou com o documentário Send the Rain, de Hayley Gray e Kaayla Whachell.
### Por que isso importa > O Festival de Vancouver (VIFF) não é apenas uma celebração regional; ele serve como um dos principais portais de entrada para o cinema independente norte-americano e global. Ao premiar obras que debatem imigração, a soberania de povos originários e traumas históricos por meio de gêneros inovadores (como o surrealismo e o documentário poético), o VIFF valida narrativas descentralizadas e impulsiona esses títulos para distribuidores globais que buscam profundidade e originalidade.
Ativismo Ambiental e Linguagem de Vanguarda

O ativismo e a ancestralidade também tiveram papel de destaque no palmarés do VIFF 2026. O Tides Award foi entregue ao documentário Ceremony, dirigido por Banchi Hanuse. O longa aborda o desaparecimento do peixe ooligan de Bella Coola e os esforços incansáveis da Nação Nuxalk para proteger e preservar suas terras e águas sagradas. O júri destacou a cinematografia poética e a capacidade do filme de documentar a resiliência comunitária contra sistemas impostos. A menção especial foi para Still Night, Burning House, de Carol Nguyen.
Na categoria de experimentação estética, o Vanguard Award foi para Hear the Yellow, dirigido pela cineasta Banu Sıvacı. O filme foi aclamado por sua "profundidade notável, originalidade e linguagem cinematográfica singular". De acordo com os jurados, a obra utiliza metáforas inteligentes e uma construção de personagem ousada para criar um diálogo sensível entre o meio rural e o urbano, retratando uma família separada pelo tempo. O filme That Shadow Fading, de Samuel Urbina, recebeu a menção honrosa.
Por fim, a categoria de curtas-metragens (Short Forum Award) premiou a animação Pre-Parenting, do cineasta estabelecido em Taiwan Yu Yu, com menção honrosa para Going Home, de Kamal Aljafari.
O que esperar a seguir dessas produções?

Com o encerramento da 45ª edição do VIFF no próximo domingo (11 de outubro), os holofotes se voltam para o circuito comercial e as plataformas de streaming. Títulos vencedores do VIFF costumam ganhar tração imediata em outros festivais de prestígio nas Américas e na Europa, servindo como forte solução para curadores de mostras internacionais.
Para os amantes de cinema de arte e narrativas profundas, vale a pena monitorar a chegada de Nina Roza e How We Stand aos serviços de vídeo sob demanda e cinemas selecionados no Brasil ao longo do próximo ano. A indústria canadense prova, mais uma vez, que sua força reside na pluralidade de suas vozes e no respeito às suas diversas raízes históricas.
Fonte original: variety.com