‘Tony’: Dominic Sessa brilha em biopic de juventude de Anthony Bourdain que promete virar culto
Filme de Matt Johnson retrata a descoberta de Bourdain como chef e escritor em 1975, com performance eletrizante de Sessa e direção inspirada. Estreia prevista
‘Tony’: Uma viagem eletrizante pela juventude de Anthony Bourdain
Em um verão de 1975, um jovem de 19 anos, brilhante mas perdido, desembarcou em Provincetown, Massachusetts, com um objetivo duvidoso: perseguir uma garota. O que Anthony Bourdain não sabia era que, naquele lugar, entre o caos de uma cozinha de restaurante e o cheiro de maresia, ele descobriria não só o amor pela gastronomia, mas também a voz que o transformaria em um ícone cultural. Essa história, agora imortalizada no filme Tony, dirigido por Matt Johnson (Blackberry, Nirvana: The Band the Show), chega às telas em novembro de 2026 com uma promessa: não é apenas um retrato biográfico, mas uma obra que captura a essência do homem que se tornou Bourdain.
O filme que Bourdain teria gostado — ou criticado com ferocidade
Fãs e críticos já debatem: Tony passaria no teste definitivo de Anthony Bourdain? Owen Gleiberman, crítico-chefe da Variety, não tem dúvidas. Em sua resenha publicada hoje, ele afirma que o filme não só acerta na essência do futuro chef e apresentador, mas também entende uma verdade fundamental: Bourdain já era Bourdain naquela época. A revelação não está no destino, mas na personalidade que já pulsava em um jovem carismático, sarcástico e ambicioso.
**Por que isso importa** > *Tony* não é apenas um filme sobre como Anthony Bourdain se tornou um chef. É sobre como um jovem de 19 anos, frustrado com a vida acadêmica e em busca de uma identidade, descobre que sua maior habilidade não era escrever romances — mas sim contar histórias sobre a vida nas cozinhas, onde a autenticidade e a sobrevivência se misturavam em doses iguais de caos e paixão. **Fato**: O roteiro é baseado em trechos do livro *Kitchen Confidential* (2000), mas **análise**: a genialidade de Johnson está em mostrar que Bourdain não precisava de fama para ser quem ele já era — um contador de histórias nato, um observador afiado e um provocador nato.
Dominic Sessa: a revelação que o cinema já esperava
Dominic Sessa, até então conhecido por sua atuação em The Holdovers (2023), entrega aqui um desempenho que o consagra como uma das novas estrelas do cinema independente. Interpretando o jovem Tony Bourdain, Sessa exala energia bruta, uma mistura de arrogância juvenil e vulnerabilidade que cativa e irrita em doses iguais. Seu Tony é um personagem que você não consegue ignorar: ele fala demais, julga tudo, mas também carrega uma solidão que o impede de se contentar com qualquer coisa que não seja extraordinária.
O ator encarna a dualidade de Bourdain com uma intensidade que surpreende. Em uma cena inicial, Tony tenta impressionar professores de Vassar com um pitch para seu futuro romance, usando um discurso tão envolvente que você sente a eletricidade de seu talento — mesmo que ele esteja claramente mentindo para impressionar. A voz que Gleiberman descreve como "uma mistura de boêmio desiludido com Howard Stern" é capturada perfeitamente por Sessa, que transforma cada fala em um espetáculo.
A química com Emilia Jones e o elenco que faz Tony viver
O elenco de apoio é tão fundamental quanto a performance de Sessa. Emilia Jones (CODA) interpreta Nancy, a garota que Tony persegue até Provincetown, uma personagem que equilibra doçura e determinação. A química entre os dois é palpável, mesmo em cenas onde o caos e a imaturidade de Tony ameaçam estragar tudo.
Mas é no restaurante Flagship que o filme ganha vida. Antonio Banderas, como Chef (um personagem baseado em figuras reais da cena gastronômica da época), oferece uma performance discreta mas impactante. Seu Chef não é um mentor sábio, mas um homem cansado do mundo que vê potencial em Tony — mesmo quando o jovem só quer bajulação. A cena em que Tony, bêbado e sem dinheiro, tenta impressionar o dono do bar com uma história sobre oysters na França é um dos momentos mais hilários e humanos do filme: um exemplo perfeito de como Tony captura a essência de Bourdain — um mentiroso compulsivo, mas um contador de histórias irresistível.
A direção de Matt Johnson: entre o realismo sujo e a poesia do caos
Matt Johnson, conhecido por seus trabalhos em Blackberry e na série Nirvana: The Band the Show, mais uma vez demonstra sua habilidade em misturar gêneros e tons. Tony oscila entre o drama de formação, a comédia romântica e até mesmo momentos de terror existencial — especialmente nas cenas dentro da cozinha, onde o calor, o suor e a cocaína se misturam em uma coreografia caótica.
Johnson não romantiza a vida nas cozinhas. Ao contrário, ele mostra o ambiente como um microcosmo da sociedade: sujo, competitivo, mas também cheio de uma estranha camaradagem. As cenas de briga, de ressaca, de drogas leves e de sexo casual não são apenas pano de fundo — elas são a essência daquilo que tornou Bourdain tão fascinante: sua capacidade de encontrar beleza no caos, de transformar o ordinário em extraordinário.
A ironia de uma vida que já estava escrita
Uma das camadas mais interessantes de Tony é a ironia de seu enredo. O filme é, em teoria, sobre como Tony descobre que é um chef, não um escritor. Mas, na realidade, ele já era um escritor — não pelas palavras no papel, mas pela forma como ele observava o mundo e o transformava em histórias. Seu talento não estava em criar ficção, mas em viver uma vida tão intensa que parecia ficção.
Isso fica claro na cena final, quando Tony, agora integrado à equipe do restaurante, escreve cartas apaixonadas para Nancy. Não são cartas de amor convencionais, mas textos cheios de raiva, desejo e autodescobrimento — a mesma voz que mais tarde encantaria milhões em Kitchen Confidential e No Reservations.
Por que ‘Tony’ não é só mais um biopic
Biografias de figuras públicas muitas vezes caem na armadilha de tentar explicar o sucesso de alguém através de uma narrativa linear de "antes e depois". Tony evita isso. Em vez de mostrar Bourdain como um gênio que nasceu pronto, o filme nos lembra que ele era, acima de tudo, um jovem perdidamente apaixonado pela vida — mesmo quando a vida não fazia sentido.
- Fato: O filme é baseado em trechos reais de Kitchen Confidential, mas análise: Johnson usa esses elementos como ponto de partida para uma obra que transcende o gênero biográfico, se aproximando do estilo de Adventureland (2009) ou dos filmes de Richard Linklater.
- Fato: Provincetown nos anos 1970 era um refúgio para artistas, escritores e desajustados sociais. Rumor: Há especulações de que o restaurante Flagship seja uma versão ficcional do The Lobster Pot, um estabelecimento real da época, mas isso não foi confirmado pela produção.
- Fato: Dominic Sessa foi escolhido após uma busca exaustiva por atores que pudessem capturar a energia de Bourdain. Análise: A semelhança física não é o mais importante aqui — é a atitude, a linguagem corporal e a capacidade de transmitir uma inteligência afiada, mesmo quando o personagem está mentindo.
O que esperar dos fãs e do impacto cultural
Para os fãs de Bourdain, Tony não é apenas um filme — é uma viagem ao passado, uma chance de ver o homem por trás do mito. Não há glamour, não há fama, não há Parts Unknown. Há apenas um jovem Tony, com seus defeitos, suas mentiras e sua busca desesperada por algo que fizesse sua vida valer a pena.
Para os cinéfilos, o filme representa uma promessa: a de que o cinema independente ainda pode surpreender. Com distribuição da A24, Tony tem potencial para se tornar um cult, assim como Hereditary ou Everything Everywhere All at Once. A estreia nos EUA está prevista para 14 de novembro de 2026, mas já há especulações sobre uma possível campanha para prêmios, especialmente na categoria de Melhor Ator para Dominic Sessa.
O que acompanhar a partir de agora
- Trailers e teasers: A A24 deve lançar novos materiais promocionais nas próximas semanas, incluindo cenas inéditas e entrevistas com o elenco.
- Recepção da crítica: Após a estreia em festivais como Telluride ou Toronto, a reação dos críticos será crucial para determinar o tom da campanha de marketing.
- Possível turnê de divulgação: Dominic Sessa e Matt Johnson podem participar de programas como The Tonight Show ou CBS This Morning para promover o filme.
- Impacto nas redes sociais: Bourdain sempre teve uma relação complexa com as redes, mas Tony pode inspirar discussões sobre a origem dos ícones culturais e como a juventude molda o futuro.
- Reedição de Kitchen Confidential: Com a estreia do filme, é possível que a obra de Bourdain ganhe uma nova onda de interesse, especialmente entre leitores mais jovens.
Conclusão: Um filme que cheira a maresia e rebeldia
Tony não é um filme perfeito. É um filme suado, barulhento, cheio de erros e acertos — assim como a vida de Anthony Bourdain. Mas é justamente essa imperfeição que o torna tão especial. Ele não tenta glorificar seu protagonista. Em vez disso, ele nos lembra que os ícones não nascem prontos — eles são forjados no fogo das experiências, das mentiras, dos fracassos e das pequenas vitórias que ninguém vê.
Se Bourdain estivesse vivo hoje, é provável que ele tivesse opiniões fortes sobre Tony. Talvez gostasse, talvez odiasse. Mas uma coisa é certa: ele teria reconhecido a verdade por trás da história — a de que, por trás de todo grande contador de histórias, há um jovem que não sabia exatamente quem era, mas sabia que queria muito, muito mais.
E é exatamente isso que faz de Tony um filme que vale a pena assistir.
Ficha técnica: - Direção: Matt Johnson - Elenco: Dominic Sessa (Anthony Bourdain jovem), Antonio Banderas (Chef), Emilia Jones (Nancy), Dagmara Domińczyk (Gladys, mãe de Tony) - Baseado em: Trechos de Kitchen Confidential: Adventures in the Culinary Underbelly (2000) - Distribuição: A24 - Estreia nos EUA: 14 de novembro de 2026

Fonte original: variety.com