Tomi Adeyemi chora ao sair do set de ‘Children of Blood and Bone’ e critica adaptação: "pior coisa que já vivi"
Autora do best-seller afro-futurista denunciou conflitos durante filmagem do longa da Paramount, marcando estreia em 15 de janeiro de 2027.
Autora de Children of Blood and Bone chora ao sair do set: "pior coisa que já vivi"
O rompimento público de Tomi Adeyemi com a adaptação de sua obra-prima afro-futurista
Em uma das revelações mais contundentes do ano no cinema, Tomi Adeyemi, autora do best-seller Children of Blood and Bone (2018), publicou um vídeo emocionado nesta quarta-feira (29/07/2026) denunciando os bastidores da produção do longa-metragem da Paramount Pictures. Em tom visceral e pessoal, Adeyemi afirmou que deixou o set da filmagem em estado de hiperventilação, definindo o processo como "a pior coisa que já tive que viver". A estreia do filme está marcada para 15 de janeiro de 2027.
O que aconteceu: Adeyemi vs. a máquina do cinema
Adeyemi, que co-escreveu o roteiro da adaptação, revelou que retornou aos Estados Unidos após a experiência na filmagem sofrendo dores somáticas severas e ataques de pânico. Em suas próprias palavras, "soube que era tão ruim que jamais conseguiria assistir ao filme". O momento mais simbólico ocorreu quando a autora afirmou, com voz embargada: "Eu nunca mais quero ouvir falar sobre este projeto novamente."
Fato confirmado: O vídeo de Adeyemi foi publicado em suas redes sociais e amplamente compartilhado pela mídia internacional, incluindo a Variety. Não houve resposta imediata das produtoras Paramount ou das representantes de Adeyemi e da diretora Gina Prince-Bythewood.
Rumor não confirmado: A autora não detalhou as causas específicas de seu sofrimento, embora tenha mencionado que continuou a ser "antagonizada nos bastidores".
Análise contextual: O ocorrido expõe tensões recorrentes em adaptações de obras literárias para o cinema, especialmente quando autores têm participação ativa no processo criativo. O caso de Adeyemi é exemplar por sua intensidade emocional e pela repercussão pública imediata.
O legado de Children of Blood and Bone: da página para as telonas
Lançado em 2018 pela editora Tor Teen, Children of Blood and Bone tornou-se um fenômeno cultural ao mesclar mitologia iorubá, afrofuturismo e uma narrativa de resistência contra a opressão. A trilogia vendeu milhões de exemplares e foi aclamada pela crítica por sua representatividade heroica de personagens negros em um gênero dominado por protagonistas brancos.
Contexto da franquia: - Livro 1: Children of Blood and Bone (2018) – Inaugurou a série Legacy of Orïsha. - Livro 2: Children of Virtue and Vengeance (2019). - Livro 3: Children of Anguish and Anarchy (2020).
A expectativa por uma adaptação era imensa. A diretora Gina Prince-Bythewood, vencedora do Emmy por Love & Basketball, foi anunciada como responsável pela direção em 2021. O elenco inclui Amandla Stenberg como a princesa Amari, Storm Reid como Zélie, e Danai Gurira como a guerreira Amari.
A polêmica em torno de Amandla Stenberg
Antes mesmo das filmagens, a escolha de Stenberg — atriz branca em um universo onde personagens como Amari são descritos como negros na obra original — gerou debates acalorados. Stenberg, que se identificou como negro em diversas ocasiões, defendeu-se em vídeos deletados, afirmando que "nunca agiria cegamente em relação à minha tonalidade de pele ou ao espaço que ocupo".
Fato: Adeyemi bloqueou Stenberg em redes sociais após um suposto desentendimento durante as gravações, segundo relatos da LA Times.
Análise: A controvérsia não se limita à cor da pele, mas à sensação de apagamento da identidade cultural da obra. Em um gênero que celebra a negritude, a escolha de Stenberg foi interpretada por muitos fãs como uma concessão comercial.
Por que isso importa
*"Este caso transcende a mera adaptação de um livro para o cinema. É sobre o direito de uma autora negra ver sua visão ser respeitada em uma indústria que historicamente a silenciou. Quando Tomi Adeyemi chora ao sair de um set dizendo que jamais assistirá ao filme que ajudou a criar, estamos diante de um fracasso não apenas artístico, mas ético. A Paramount e a equipe do filme precisam responder: o que vale mais, o lucro ou a integridade de uma obra que nasceu como um grito de liberdade?"
O impacto para os fãs e o que vem a seguir
Para os fãs da obra
- Desilusão emocional: Muitos leitores que se identificaram com os temas de resistência e ancestralidade podem sentir o impacto do ocorrido como uma traição pessoal.
- Expectativas frustradas: O trailer lançado em julho de 2026, embora tecnicamente impecável, não resolveu as dúvidas sobre a fidelidade à obra original.
- Movimento de boicote: Hashtags como #BoycottCOBAB começaram a circular nas redes sociais, com críticos e fãs questionando se a Paramount priorizou o box office em detrimento da narrativa.
Para a indústria
- Sinal de alerta: O caso serve como um lembrete de que adaptações de obras de autores marginalizados exigem cuidado redobrado. A ausência de transparência pode resultar em prejuízos reputacionais irreparáveis.
- Pressão por accountability: Autoras como Nnedi Okorafor (Who Fears Death) e N.K. Jemisin (The Broken Earth) têm usado suas plataformas para exigir mais participação nos processos de adaptação de suas obras.
Cronograma dos próximos passos
- Setembro de 2026: Estreia do trailer final do filme, com possibilidade de novas polêmicas.
- Outubro de 2026: Campanha de marketing intensificada pela Paramount, com foco em eventos para fãs.
- 15 de janeiro de 2027: Lançamento nos cinemas — momento decisivo para definir se o público perdoará ou não as controvérsias.
O que os fãs devem acompanhar
1. Reações da Paramount e da equipe de produção
A falta de resposta oficial até o momento é preocupante. Se a Paramount não se posicionar publicamente, o silêncio pode ser interpretado como conivência.
2. Análise do roteiro final
Adeyemi afirmou que trabalhou arduamente para "tornar o filme um pouco melhor para nós estarmos vivos", mas não detalhou o que foi alterado. Espera-se que críticos e fãs analisem cenas específicas em comparação com o livro.
3. Repercussão nas redes sociais
A hashtag #SaveCOBAB (em português, #SalveCOBAB) já está ganhando tração entre fãs que desejam pressionar a Paramount por mudanças. O movimento pode influenciar a recepção do longa.
4. Entrevistas com os atores
Stenberg e Reid têm histórico de ativismo. Suas declarações sobre o processo podem oferecer novos ângulos para a discussão.
5. Possíveis mudanças na estratégia de marketing
Se a Paramount perceber queda na expectativa, pode antecipar cenas exclusivas ou depoimentos dos bastidores para reverter a imagem.
Conclusão: Um divisor de águas para adaptações de obras negras?
O caso de Children of Blood and Bone não é isolado. Recentemente, Evan Rachel Wood criticou a suposta falta de fidelidade à obra em Practical Magic 2, e N.K. Jemisin enfrentou resistência da indústria ao adaptar The Broken Earth para a TV. No entanto, a intensidade emocional de Adeyemi — uma autora que não apenas escreveu a obra, mas co-escreveu o roteiro — eleva o debate a outro patamar.
A pergunta que fica é: até que ponto a indústria está disposta a ouvir os autores cujas obras são adaptadas? Children of Blood and Bone pode se tornar um marco negativo ou um ponto de inflexão para um cinema mais inclusivo. Tudo dependerá das próximas semanas.
Para os fãs, uma dica final: não se deixem guiar apenas pelo trailer. Esperem as críticas especializadas e as reações do público antes de formar uma opinião definitiva. Afinal, como disse Adeyemi, "a realidade precisa ser conhecida".
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Crédito da imagem de capa: Getty Images / Tomi Adeyemi, autora de Children of Blood and Bone.

Fonte original: variety.com