'Teenage Sex and Death at Camp Miasma': Jane Schoenbrun transforma terror em comédia romântica kinky e expande fronteiras do cinema indie
Filme em cartaz via Mubi mistura slashers, romance e humor negro com trilha sonora icônica e performances de Hannah Einbinder e Gillian Anderson; entenda por qu




'Teenage Sex and Death at Camp Miasma': quando o terror se veste de comédia romântica kinky e redefine o cinema indie

Em cartaz desde esta semana via Mubi, a terceira obra de Jane Schoenbrun é um mergulho caótico e necessário em sexualidade, trauma e a reinvenção do self.
Quem espera um slasher tradicional vai se decepcionar — ou se apaixonar. 'Teenage Sex and Death at Camp Miasma' (2026) é, antes de tudo, uma comédia romântica kinky com elementos de terror, onde o sangue e os gritos são tempero, não o prato principal. Dirigido por Jane Schoenbrun — nome por trás de obras como 'We’re All Going to the World’s Fair' (2021) e 'I Saw the TV Glow' (2024) —, o filme acompanha Kris (Hannah Einbinder), uma diretora indie ambiciosa que busca reviver a franquia de slashers 'Camp Miasma' ao reencontrar Billy (Gillian Anderson), a atriz icônica do primeiro filme. O que começa como um projeto profissional se transforma em uma jornada íntima sobre desejo, identidade e os limites entre arte e vida real.
Lançado no início de agosto de 2026 pela distribuidora Icon Film + TV, o longa já é discutido como um divisor de águas para o cinema queer contemporâneo. Schoenbrun, que se assumiu trans durante a produção de 'I Saw the TV Glow', usa a obra para explorar sua própria transição e as complexidades da sexualidade pós-dysphoria. O resultado é um filme que, segundo a própria diretora, "é assustador, excitante, alegre e terno ao mesmo tempo".
Por trás das câmeras: um projeto nascido de vulnerabilidade e autodescoberta

Schoenbrun é conhecida por transformar experiências pessoais em narrativas cinematográficas. Em 'Camp Miasma', o processo não foi diferente. A ideia surgiu durante os primeiros anos de sua transição, quando a dysphoria começou a ceder espaço para uma nova — ainda que desconhecida — versão de si mesma. "Toda vez que faço um filme, é porque há um mistério na minha vida que não sei como nomear", confessou em entrevista à Variety. "Não é sobre resolver o mistério, mas sobre trabalhar nele."
Para 'World’s Fair', foi a descoberta da identidade trans. Para 'TV Glow', o medo de assumir publicamente essa transição e suas consequências. Em 'Camp Miasma', o foco recaiu sobre a sexualidade — algo que Schoenbrun havia evitado por anos, seja por desconforto ou por repressão. "Comecei a ver os benefícios da decisão [de transicionar]. A dysphoria estava cicatrizando. Era a primeira vez desde a infância que me sentia como eu mesma", explicou.
O roteiro, portanto, não é apenas uma homenagem aos slashers dos anos 80 e 90, mas uma metáfora para o despertar sexual e emocional de Kris — e, por extensão, do próprio Schoenbrun. "Queria fazer justiça à estranheza da experiência de ser adolescente, ao despertar sexual e à confusão que isso traz", disse. A sugestão de sua parceira, que o encorajou a fazer "algo realmente divertido e gay", foi decisiva para o tom leve e irreverente do filme.
Fato vs. Análise: o que sabemos e o que inferimos

- FATO: Schoenbrun se assumiu trans durante a produção de 'I Saw the TV Glow' (2024).
- FATO: 'Camp Miasma' estreou em agosto de 2026 via Mubi, distribuído pela Icon Film + TV.
- FATO: Hannah Einbinder (Kris) e Gillian Anderson (Billy) foram escaladas para os papéis principais em 2025, com filmagens concluídas no início de 2026.
- ANÁLISE: O uso de elementos kinky (como a cena de jantar com nuggets de frango) pode ser lido como uma representação do desejo de Kris — e de Schoenbrun — de encontrar conforto em situações de vulnerabilidade extrema.
Hannah Einbinder e Gillian Anderson: uma química que nasceu na hora certa

A química entre as protagonistas foi descoberta apenas três dias antes das filmagens começarem, durante um ensaio improvisado em uma sala com uma mesa de plástico e celulares gravando. Schoenbrun relatou à Variety que a energia entre Einbinder e Anderson era tão palpável que não houve necessidade de ajustes significativos. "Era ou funcionava, ou não. E naquele dia, funcionou", disse.
Einbinder, conhecida por seu trabalho em 'Search Party' e 'Broad City', traz para Kris uma mistura de ambição caótica e vulnerabilidade. Anderson, por sua vez, interpreta Billy com uma intensidade que oscila entre a exaustão de uma estrela consagrada e a doçura de alguém que, afinal, só quer se conectar.
A dinâmica entre as duas é o coração do filme. Desde a cena inicial — onde Kris tenta convencer Billy a voltar para a franquia 'Camp Miasma' — até os momentos mais íntimos, como o jantar de nuggets de frango mergulhados em molhos eróticos, o roteiro explora a tensão entre arte e vida, entre desejo e medo. "É um primeiro encontro que termina em um lugar de comida rápida", brinca Schoenbrun. "Se em uma hora você vai comer doces juntos, então fazer algo fodido e kinky talvez não pareça tão assustador."
Por que isso importa:
"'*Teenage Sex and Death at Camp Miasma*' não é apenas um filme sobre slashers ou comédia romântica. É sobre o direito de existir em todas as suas formas — especialmente quando essas formas são consideradas 'inapropriadas' ou 'assustadoras'. Schoenbrun usa o gênero como uma lente para falar de identidade, sexualidade e trauma, mas também como um veículo para celebrar a estranheza e a alegria de ser quem você é, mesmo quando o mundo espera que você seja outra coisa. É um lembrete de que o cinema pode ser ao mesmo tempo um espelho e uma fuga — e que, às vezes, a melhor maneira de enfrentar o medo é rindo dele."
Trilha sonora, simbolismo e o ritual do junk food

Um dos elementos mais peculiares de 'Camp Miasma' é sua trilha sonora, que inclui desde Counting Crows até canções pop lowbrow. Schoenbrun explica que o uso de músicas como 'A Long December' (Counting Crows) durante cenas de violência é intencional: "Mesmo quando os lugares para onde vamos são 'assustadores', também será divertido e açucarado. É como assistir a um filme de terror com pipoca e Raisinets."
O junk food — e sua relação com rituais cinematográficos — é um tema recorrente. Kris é vista comendo Raisinets misturados a pipoca, ou compartilhando nuggets de frango com Billy. Schoenbrun vê isso como uma metáfora para o prazer e o conforto que buscamos em situações de vulnerabilidade: "Até o sexo, em sua melhor forma, é um luxo. É como um junk food emocional."
Outro detalhe simbólico é a cena em que Kris assiste a um filme de terror sozinha na cama, cercada por doces. Para Schoenbrun, é um retrato de como consumimos cultura de massa em busca de conexão — mesmo quando estamos sozinhos.
Impacto para os fãs e o que vem por aí

Para os fãs de cinema queer e terror indie, 'Camp Miasma' representa uma evolução natural do trabalho de Schoenbrun. Depois de explorar identidade trans em 'World’s Fair' e transição em 'TV Glow', o novo filme amplia o escopo para temas como sexualidade e prazer — algo ainda pouco representado no cinema mainstream.
A obra também desafia expectativas sobre o gênero slasher, provando que ele pode ser mais do que violência gratuita. Schoenbrun argumenta que o terror, quando usado com intenção, pode ser uma forma de terapia: "É uma maneira de processar medos que não conseguimos nomear de outra forma."
O que os fãs devem acompanhar:
- Próximos passos de Jane Schoenbrun: A diretora já sinalizou que pretende continuar explorando gêneros mistos, possivelmente incluindo mais comédia em seus próximos trabalhos.
- Recepção crítica: O filme estreou em festivais como o Fantasia Festival (2026), onde foi elogiado pela abordagem inovadora e performances marcantes.
- Trilha sonora: A inclusão de canções como Counting Crows e LCD Soundsystem pode levar a um album soundtrack ou até mesmo a uma turnê de Schoenbrun como DJ/artista.
- Novos projetos de Hannah Einbinder e Gillian Anderson: Einbinder já tem projetos em desenvolvimento na TV, enquanto Anderson recentemente estrelou 'The Crown' (Netflix) e 'The First Lady' (Showtime).
Conclusão: um filme que ousa ser tudo ao mesmo tempo
'Teenage Sex and Death at Camp Miasma' é, em essência, um manifesto cinematográfico. Schoenbrun usa o terror como pano de fundo para discutir identidade, sexualidade e arte, mas também para celebrar o caos e a alegria de existir. É uma obra que não pede desculpas por ser kinky, campy ou messy — porque, afinal, a vida também não é.
Para os fãs de cinema que buscam algo além do convencional, este é um filme obrigatório. Para os que acreditam que arte deve ser transformadora, é um lembrete do poder do cinema como espelho e janela. E para os que ainda não sabem como se encaixam no mundo, 'Camp Miasma' oferece um abraço — ou um abraço kinky, com nuggets de frango incluídos.
Onde assistir: Disponível via Mubi desde agosto de 2026.
Próximos lançamentos de Schoenbrun: A diretora já trabalha em seu quarto longa-metragem, mas ainda não anunciou detalhes.
Texto original e não patrocinado. Baseado em entrevista à Variety e cobertura de estreia em festivais.

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Fonte original: variety.com