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O brilho e a tragédia dos Pretenders: Novo documentário de Joss Crowley no TIFF 2026 disseca a genialidade de Chrissie Hynde

Exibido no TIFF 2026, o documentário 'Pretenders' de Joss Crowley mergulha no paradoxo de Chrissie Hynde, entre o punk visceral e o romantismo melódico.

O Paradoxo de Chrissie Hynde: Entre a fúria e a melodia — imagem relacionada
O Paradoxo de Chrissie Hynde: Entre a fúria e a melodia — imagem relacionada
A alquimia perfeita e a quebra de barreiras — imagem relacionada
A alquimia perfeita e a quebra de barreiras — imagem relacionada
O brilho cortado pela tragédia de 1982 — imagem relacionada
O brilho cortado pela tragédia de 1982 — imagem relacionada
Fatos, análises e o que esperar a seguir — imagem relacionada
Fatos, análises e o que esperar a seguir — imagem relacionada

O Festival Internacional de Cinema de Toronto (TIFF) de 2026 acaba de ser palco da estreia de um dos retratos mais honestos, eletrizantes e dolorosos da história do rock. Dirigido por Joss Crowley, o documentário Pretenders surge como a crônica definitiva sobre a ascensão da banda homônima e, acima de tudo, sobre a força da natureza que é sua líder, Chrissie Hynde.

Com uma mistura rica de imagens de arquivo raras e entrevistas confessionais profundas, o longa-metragem não apenas celebra o catálogo brilhante do grupo, mas também confronta as tragédias devastadoras que quase o destruíram no início dos anos 1980. O filme capta com precisão cirúrgica o paradoxo de Hynde: uma mulher que exalava a fúria do punk de sarjeta, mas que carregava no peito o lirismo mais refinado e romântico de sua geração.

O Paradoxo de Chrissie Hynde: Entre a fúria e a melodia

O Paradoxo de Chrissie Hynde: Entre a fúria e a melodia — imagem relacionada
O Paradoxo de Chrissie Hynde: Entre a fúria e a melodia — imagem relacionada

Nascida em Ohio em 1951, Chrissie Hynde cresceu em uma típica família americana dos anos 1950, mas sempre se sentiu uma estranha no ninho. Após presenciar o histórico massacre da Kent State University em 1970, onde as forças do Estado mataram quatro estudantes, ela decidiu que a América conservadora não era o seu lugar. Mudou-se para Londres no início da década de 1970, mergulhando de cabeça em uma cena cultural em ebulição e no abuso de substâncias.

Na Inglaterra, Hynde tentou de tudo. Escreveu críticas ácidas para o lendário semanário NME, tentou formar bandas com Mick Jones (antes de ele fundar o The Clash) e até com os membros do The Damned, mas ninguém parecia querer uma mulher liderando o som. A rejeição apenas alimentou sua determinação.

O documentário de Crowley destaca como a sonoridade dos Pretenders nasceu dessa rejeição. Músicas como 'Precious' capturam a agressividade crua do punk britânico, com um vocal cuspido e desafiador. No entanto, o verdadeiro trunfo da banda era sua capacidade de ser incrivelmente melódica. Canções como 'Kid' e 'Brass in Pocket' transcendiam o niilismo da época, entregando um romantismo grandioso que rivalizava com os clássicos dos Beatles e de Phil Spector.

A alquimia perfeita e a quebra de barreiras

A alquimia perfeita e a quebra de barreiras — imagem relacionada
A alquimia perfeita e a quebra de barreiras — imagem relacionada

Frustrada por não encontrar um grupo, Hynde decidiu criar o seu próprio. Ela recrutou o baixista Pete Farndon (com quem também se envolveu romanticamente), o baterista feroz Martin Chambers e, finalmente, o guitarrista James Honeyman-Scott. Foi a entrada de Honeyman-Scott que mudou tudo. Com apenas 22 anos, ele trouxe um estilo de guitarra brilhante e ressonante que definiu a sonoridade da new wave.

A dinâmica visual e musical do quarteto era inédita. À frente de três homens britânicos estava uma mulher americana com uma guitarra pendurada no pescoço, comandando o palco com uma postura rústica, andrógina e absolutamente magnética. Ela não era o 'enfeite' de ninguém; ela era a dona do show. O documentário mostra como essa postura redefiniu o papel das mulheres no rock mainstream de forma natural e sem esforço.

### Por que isso importa > O documentário *Pretenders* não é apenas mais uma biografia musical nostálgica; é um registro histórico sobre a subversão de gênero no rock e a resiliência artística. Ao analisar a trajetória de Chrissie Hynde, o filme joga luz sobre como uma mulher conseguiu dominar uma indústria profundamente machista no final dos anos 1970, sem abrir mão de sua sensibilidade poética ou de sua postura perigosa. Além disso, a obra serve como um tributo tardio e necessário ao gênio injustiçado de James Honeyman-Scott, cujo estilo de guitarra moldou o rock alternativo das décadas seguintes.

O brilho cortado pela tragédia de 1982

O brilho cortado pela tragédia de 1982 — imagem relacionada
O brilho cortado pela tragédia de 1982 — imagem relacionada

Como quase toda grande saga do rock, o sucesso estrondoso dos Pretenders veio acompanhado por excessos autodestrutivos. O documentário de Crowley não foge dos momentos sombrios e detalha com sobriedade a espiral que levou ao fim da formação clássica da banda.

O baixista Pete Farndon afundou-se no vício em heroína, tornando-se impossível de trabalhar. Ele foi oficialmente demitido do grupo em 14 de junho de 1982. A tragédia real, contudo, bateu à porta apenas dois dias depois. Em 16 de junho de 1982, James Honeyman-Scott — que não era um viciado, mas um jovem que gostava de festejar — faleceu durante o sono devido a uma parada cardíaca causada pelo consumo excessivo de cocaína. Ele tinha apenas 25 anos.

Essa perda brutal destruiu a espinha dorsal da banda. O filme retrata a dor de Hynde, que aos 75 anos de idade ainda demonstra uma mistura de amargura, defensividade e profunda tristeza ao relembrar aquele período. A morte de Honeyman-Scott encerrou abruptamente a era de ouro dos Pretenders, forçando Hynde a se reinventar em meio ao luto.

Fatos, análises e o que esperar a seguir

Fatos, análises e o que esperar a seguir — imagem relacionada
Fatos, análises e o que esperar a seguir — imagem relacionada

Enquanto o documentário foca na reconstituição histórica impecável e traz análises críticas valiosas sobre o impacto cultural da banda, ele também serve para desmistificar boatos da época. Crowley evita o sensacionalismo barato ao abordar as dinâmicas de relacionamento internas, preferindo focar na sinergia musical que existia entre os quatro membros originais.

Para os fãs de cinema documental e de história da música, Pretenders é uma obra obrigatória que deve figurar fortemente nas premiações de documentários nos próximos meses. Após sua calorosa recepção no TIFF 2026, a expectativa é que o longa encontre distribuição global em plataformas de streaming ainda este ano, permitindo que uma nova geração descubra a genialidade atemporal de Chrissie Hynde e a herança imutável de sua banda.

Fonte original: variety.com

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