Metroid completa 40 anos e redefine o legado dos Metroidvanias: como a franquia moldou uma geração de jogos
Franquia de 40 anos de Nintendo define o padrão dos jogos não-lineares e inspira títulos modernos como Hollow Knight e Blasphemous.
Metroid completa quatro décadas: a revolução silenciosa que mudou os jogos para sempre
Imagine-se correndo por corredores escuros em um planeta alienígena. O único som é o eco dos seus passos metálicos no chão de pedra e o gotejar constante de água a distância. Você sabe que essa calmaria não durará. Em breve, uma criatura alienígena surgirá, e o confronto não será amigável. Mas antes disso, é hora de abastecer-se: upgrades de energia, novas habilidades e armamentos que mudarão tudo. Você está jogando Metroid, lançado há exatamente 40 anos no Famicom Disk System no Japão — um título que, na época, parecia apenas mais uma aventura da Nintendo, mas que se tornaria a pedra fundamental de um gênero inteiro: o Metroidvania.
Hoje, a franquia comemora quatro décadas de existência, mas seu impacto ecoa muito além de uma simples comemoração. Metroid não apenas definiu um estilo de jogo, mas também uma filosofia de design que influencia desde produções indie até blockbusters. Vamos explorar como uma aventura de 1986 se tornou um fenômeno cultural e o que os fãs devem esperar agora.
Samus Aran e a gênese de um gênero
Lançado originalmente em 6 de agosto de 1986, Metroid apresentou ao mundo Samus Aran, uma caçadora de recompensas intergaláctica contratada para recuperar os Metroids, organismos que drenam energia e que foram roubados pelos Space Pirates. Em mãos erradas, esses seres poderiam se tornar armas biológicas devastadoras. Para deter os piratas e sua inteligência artificial central, Mother Brain, Samus precisava navegar por um mundo não-linear, repleto de segredos e obstáculos que só poderiam ser superados com upgrades progressivos.
O que parecia uma jogabilidade comum para a época — um jogo de ação em 2D com progressão — na verdade era uma revolução silenciosa. Diferente dos jogos de plataformas lineares ou dos RPGs que dominavam o mercado, Metroid oferecia: - Um mundo aberto não-linear, onde os jogadores podiam explorar em qualquer ordem (ou pelo menos tentavam). - Progressão dependente de habilidades, obrigando os jogadores a retornar a áreas antigas com novos poderes. - Uma atmosfera claustrofóbica e hostil, que tornava cada descoberta ainda mais gratificante.
"Era como se você estivesse em um sandbox de terror sci-fi, mas com uma resolução de tela que mal cabia em um monitor CRT da década de 1980", comenta o jornalista Jason Venter, da Polygon, em seu artigo de análise sobre o aniversário de Metroid.
O segredo por trás do sucesso: design atemporal e colaboração improvável
O que torna Metroid tão especial — e por que seu legado persiste até hoje — é a forma como ele combinou exploração, progressão e narrativa ambiental de uma maneira que poucos jogos conseguiam na época. Enquanto The Legend of Zelda (1986) oferecia um mundo aberto para se explorar livremente, Metroid trazia uma abordagem mais focada na ação e no desafio, com um design de mundo que parecia vivo.
Entre os elementos mais icônicos do jogo estão: - O rolamento em forma de bola (Morph Ball): Um poder que permitia a Samus se espremer em passagens estreitas e acessar áreas ocultas. Esse simples mecanismo se tornou um símbolo do gênero. - A progressão de armas: Começando com um canhão básico, o jogador gradualmente obtinha mísseis, o Ice Beam (que congelava inimigos) e até a capacidade de bombardear o chão, desbloqueando novas áreas. - O sistema de senhas: Antes dos saves automáticos, os jogadores usavam senhas para retomar seu progresso. Uma das mais famosas era a senha "Justin Bailey", que permitia pular diretamente para fases avançadas — um Easter egg que ainda é mencionado por fãs até hoje. - O twist de gênero: O manual do jogo usava pronomes masculinos para se referir a Samus, mas o final revelava que ela era uma mulher. Na época, isso foi um choque para muitos jogadores, que só descobriam a verdade ao completar o game em menos de 20 minutos (sem glitches).
"O jogo não apenas desafiava as convenções técnicas da época, mas também as sociais. Samus Aran não era apenas uma personagem forte — ela era a personagem forte, e sua revelação final mostrava que mulheres poderiam ser heroínas em jogos de ação", explica Venter.
Do Famicom Disk System ao impacto global: como Metroid virou lenda
Na época de seu lançamento, Metroid não foi um fenômeno instantâneo como Super Mario Bros. ou The Legend of Zelda. Vendendo "apenas" algumas centenas de milhares de cópias — um número respeitável para a época — o jogo foi ofuscado por outros sucessos da Nintendo. Mas sua influência se espalhou de forma orgânica.
- 1994: Super Metroid eleva o padrão
- Com gráficos aprimorados, uma trilha sonora imortal de Hirokazu Tanaka e um design de níveis ainda mais complexo, Super Metroid solidificou o gênero. Muitos consideram este o pico da franquia, com uma narrativa mais profunda e um mundo que parecia respirar.
- 2002: Metroid Prime reinventa a franquia em 3D
- Desenvolvido pela Retro Studios, Metroid Prime transformou a série em um FPS de exploração, mantendo a essência não-linear e a progressão de habilidades. Foi um sucesso crítico e comercial, provando que Metroid poderia transcender gêneros.
- Anos 2010: o renascimento indie
- Jogos como Hollow Knight (2017), Blasphemous (2019) e Ender Lilies (2021) beberam diretamente da fonte Metroid. Esses títulos indie não apenas homenagearam o estilo, mas o evoluíram, adicionando narrativas mais profundas e mecânicas modernas.
Hoje, o termo "Metroidvania" é usado para descrever qualquer jogo que siga a fórmula de exploração não-linear, progressão baseada em habilidades e um mundo interconectado. De Dark Souls a Elden Ring, passando por Tunic (2022) e Prince of Persia: The Lost Crown (2024), a influência de Metroid é inegável.
Por que isso importa
"*Metroid* não foi apenas um jogo inovador — foi um **manifesto** sobre como a exploração e a progressão podem criar uma experiência imersiva e duradoura. Hoje, quando jogamos *Hollow Knight* ou *Blasphemous*, estamos vendo não apenas uma homenagem, mas uma evolução natural de uma ideia que começou há 40 anos. A Nintendo pode não ter criado o gênero Metroidvania, mas certamente o definiu — e sem *Metroid*, jogos modernos como *Elden Ring* ou *Dead Cells* não existiriam da forma como os conhecemos."
— Análise editorial, baseado em depoimentos de desenvolvedores indie e críticos de jogos
Fatos, rumores e o que vem por aí
Fatos confirmados:
- Metroid estreou em 6 de agosto de 1986 no Japão, no Famicom Disk System.
- O jogo foi lançado na América do Norte em agosto de 1987, como um dos títulos de lançamento do NES.
- A revelação de que Samus Aran era uma mulher foi um plot twist chocante para 1986, surpreendendo jogadores acostumados a protagonistas masculinos.
- O sistema de senhas foi uma solução inteligente para a falta de salvamento automático nos cartuchos da época.
- Metroid e Super Metroid (1994) são considerados os pilares da série, com Metroid Prime (2002) e Metroid Dread (2021) como os principais sucessores modernos.
Rumores (não confirmados):
- Existe um novo jogo de Metroid em desenvolvimento, com vazamentos recentes em classificações de jogos. Nenhum detalhe oficial foi divulgado pela Nintendo.
- Algumas especulações sugerem que o próximo título possa ser um Metroidvania em estilo open-world, mas isso ainda é mera hipótese.
- Há boatos de que a Nintendo estaria trabalhando em um remake de Metroid II: Return of Samus (1991), mas nada foi confirmado.
O que os fãs devem acompanhar:
- Acompanhar anúncios oficiais da Nintendo sobre novos projetos na franquia, especialmente após os rumores recentes.
- Jogar os clássicos disponíveis na Nintendo Switch Online, que incluem Metroid, Super Metroid e Metroid Fusion.
- Explorar os jogos inspirados em Metroid, como Hollow Knight: Silksong (ainda sem data) e Prince of Persia: The Lost Crown (disponível em todas as plataformas).
- Participar da comunidade de speedrunners, que ainda encontra novas formas de completar Metroid em tempos recorde, décadas após seu lançamento.
Legado eterno: por que Metroid ainda é relevante em 2026
Quarenta anos depois, Metroid não é apenas um marco histórico — é um testamento à inovação atemporal. Em uma indústria dominada por franquias que apostam em sequências seguras ou remakes, a abordagem única de Metroid — explorar primeiro, lutar depois — continua a inspirar.
Jogos modernos como The Legend of Zelda: Tears of the Kingdom (2023) e Starfield (2023) utilizam elementos de progressão não-linear semelhantes, enquanto títulos indie como Tunic e Hollow Knight provam que o gênero Metroidvania ainda tem muito a oferecer.
Para os fãs, a comemoração de 40 anos é mais do que nostalgia: é um lembrete de que bom design nunca envelhece. E enquanto a Nintendo não anuncia oficialmente um novo Metroid, a esperança — e as especulações — só aumentam.
Mantenha seus sensores ativados. A próxima grande descoberta pode estar logo ali na próxima esquina. 🚀

Fonte original: www.polygon.com