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Imax e o futuro do cinema: quem além de Nolan pode filmar em 70mm?

Com o sucesso de 'The Odyssey', diretores como Villeneuve e Coogler consideram filmar em Imax 70mm. Quais os desafios e quem pode arcar com os custos?

Imax e o futuro do cinema: quem além de Nolan pode filmar em 70mm?

O marco de 'The Odyssey' e a revolução do 70mm

Em maio de 2025, Christopher Nolan anunciou que seu próximo épico, The Odyssey, seria o primeiro filme a ser filmado inteiramente com câmeras Imax 70mm. A decisão não foi apenas um capricho técnico, mas uma declaração de intenções: Nolan, conhecido por sua obsessão pela experiência cinematográfica imersiva, elevou o padrão de como os blockbusters podem ser consumidos. Com uma bilheteria global de quase US$ 650 milhões — dos quais US$ 140 milhões vieram apenas das exibições em Imax —, o filme não só provou que o formato ainda tem apelo comercial, como também reacendeu o debate sobre o uso de película em uma era cada vez mais dominada pelo digital.

O sucesso de The Odyssey levou a uma pergunta inevitável: afinal, quem mais poderia fazer algo semelhante? Afinal, filmar em Imax não é para qualquer produtor. Os custos são estratosféricos: o estoque de filme bruto custa cerca de US$ 1,50 por pé, e The Odyssey utilizou cerca de dois milhões de pés, totalizando US$ 3 milhões apenas em material. Além disso, as câmeras Imax são pesadas, barulhentas e exigem um processo de revelação complexo, com cada cópia do filme custando US$ 50 mil. Não à toa, somente estúdios com orçamentos estratosféricos — e diretores dispostos a assumir riscos — poderiam considerar a empreitada.

Villeneuve e Coogler: os próximos na fila?

Entre os nomes que já demonstraram interesse em explorar o formato, dois se destacam: Denis Villeneuve e Ryan Coogler. Villeneuve, que já havia experimentado o Imax em Dune: Parte Dois (filmando grande parte da obra em 70mm, embora mantendo algumas cenas em digital), revelou durante um evento promocional que a experiência foi "única". "Quando você vê o resultado na tela, é incomparável", afirmou o diretor, que agora prepara o novo filme de James Bond — uma oportunidade perfeita para testar novamente o formato.

Já Coogler, conhecido por seu trabalho em Black Panther e Sinners, tem um histórico de colaborações com a cinematografia de grande formato. Em Sinners, ele utilizou uma combinação de Imax 15-perf (proporção 1.43:1) e Ultra Panavision 70 (2.76:1), criando uma estética visualmente impressionante. Agora, com Black Panther 3, a Marvel anunciou que o filme será parcialmente filmado em 70mm — uma estreia para o estúdio. Embora ainda não confirmado se a equipe técnica será a mesma, a possibilidade de Coogler utilizar o formato em sua totalidade é real, especialmente considerando o suporte que a Imax oferece.

Os desafios do formato e o futuro do cinema em película

A Imax, no entanto, não está fechada para parcerias. Segundo um porta-voz da empresa, eles estão abertos a fornecer câmeras e suporte técnico para diretores que queiram explorar o formato. "Temos câmeras e blimps suficientes para viabilizar projetos assim. Se os diretores quiserem assumir o desafio, nós ajudamos a torná-lo realidade", afirmou. A questão, entretanto, vai além da logística: é uma questão de orçamento e de justificativa artística.

Enquanto The Odyssey e Dune: Parte Dois provaram que o público ainda valoriza a experiência Imax, outros projetos como The Thomas Crown Affair (remake com Michael B. Jordan) e Project Hail Mary (filmado digitalmente, mas exibido em cópias Imax) mostram que o formato pode ser adaptado de diferentes maneiras. Filmes como Resident Evil e Digger também foram otimizados para Imax, mesmo tendo sido gravados em outros formatos.

O cinema de grande formato está morto — ou apenas mudando de forma?

A discussão sobre o futuro do cinema em película não é nova. Com a maioria dos estúdios migrando para o digital, o 70mm se tornou um nicho de luxo, reservado para diretores que veem valor além do comercial. Mas será que a tendência de Nolan, Villeneuve e Coogler pode inspirar uma nova geração de cineastas a abraçar o formato?

O problema, claro, é o custo. Enquanto a Imax se mostra disposta a colaborar, poucos estúdios ou diretores têm a liberdade — ou a disposição — de investir milhões em um formato que já foi considerado obsoleto. Ainda assim, o apelo do cinema em grande formato persiste, especialmente em um mundo onde a imersão cada vez mais escassa se tornou um diferencial.

Se The Odyssey abriu as portas, cabe agora aos próximos diretores decidir se valerá a pena atravessá-las. E, quem sabe, redefinir mais uma vez o que significa fazer cinema no século XXI.

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