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Histórico: 'I Matter', de Alina Șerban, marca estreia revolucionária de diretora Roma no Festival de Veneza

Alina Șerban faz história no Festival de Veneza com 'I Matter', o primeiro longa-metragem dirigido por uma mulher Roma em um festival de classe A.

De Órfã a Pioneira no Tapete Vermelho de Veneza — imagem relacionada
De Órfã a Pioneira no Tapete Vermelho de Veneza — imagem relacionada
A Trama Íntima e Poderosa de "I Matter" — imagem relacionada
A Trama Íntima e Poderosa de "I Matter" — imagem relacionada
Uma Celebração Coletiva no Lido — imagem relacionada
Uma Celebração Coletiva no Lido — imagem relacionada
O Futuro da Representatividade no Cinema Europeu — imagem relacionada
O Futuro da Representatividade no Cinema Europeu — imagem relacionada

O Festival Internacional de Cinema de Veneza acaba de ser palco de um marco histórico e profundamente emocionante para o cinema global. A diretora romena Alina Șerban fez sua estreia oficial no tapete vermelho do Lido para apresentar I Matter (Eu Importo, em tradução livre), que integra a prestigiada mostra Venice Spotlight. O feito carrega um simbolismo gigantesco: trata-se do primeiríssimo longa-metragem dirigido por uma mulher de origem Roma a ser exibido em um festival de cinema de "Classe A" (a categoria de elite que inclui Cannes, Berlim e Veneza).

A produção, que expande o aclamado curta-metragem homônimo de 2021 lançado pela cineasta, foi recebida com entusiasmo pela crítica e pelo público. Longe de ser apenas uma conquista individual, a estreia de Șerban é um grito de dignidade e uma redefinição artística de como a comunidade Roma — historicamente marginalizada e estereotipada no Velho Continente — é representada nas telas.

De Órfã a Pioneira no Tapete Vermelho de Veneza

De Órfã a Pioneira no Tapete Vermelho de Veneza — imagem relacionada
De Órfã a Pioneira no Tapete Vermelho de Veneza — imagem relacionada

A trajetória de Alina Șerban para chegar ao topo do cinema mundial parece um roteiro de superação por si só. Criada em condições de extrema pobreza em Bucareste, na Romênia, ela passou parte da infância e adolescência em um orfanato estatal. Șerban desafiou as estatísticas ao se tornar a primeira pessoa de sua família a concluir o ensino médio. Sua paixão pelas artes cênicas a levou a estudar na Academia de Artes Teatrais e Cinematográficas de Bucareste, antes de alcançar voos ainda maiores: ela foi aceita na prestigiada Tisch School of the Arts, da Universidade de Nova York (NYU), e posteriormente obteve seu mestrado na Royal Academy of Dramatic Art (RADA), em Londres.

Ao retornar à Romênia, Alina canalizou suas vivências em monólogos teatrais e peças de vanguarda com forte viés feminista e social. Em vez de retratar seu povo apenas sob a ótica da dor ou do exotismo caricato, Șerban construiu uma carreira dedicada a celebrar a humanidade, a complexidade e a alegria da cultura Roma. Antes de assumir a cadeira de direção em I Matter, ela já havia pisado em Veneza em 2023 como atriz, integrando o elenco do premiado drama Housekeeping for Beginners, de Goran Stolevski.

### Por que isso importa > Historicamente, a comunidade Roma tem suas narrativas controladas por criadores externos, o que frequentemente resulta em representações unidimensionais — ora como vítimas indefesas, ora como figuras folclóricas ou marginalizadas. O pioneirismo de Alina Șerban em *I Matter* devolve o protagonismo e o direito à autorrepresentação. Trata-se de um divisor de águas político e estético para o cinema europeu, provando que corpos e vozes historicamente silenciados pertencem aos maiores palcos artísticos do mundo.

A Trama Íntima e Poderosa de "I Matter"

A Trama Íntima e Poderosa de "I Matter" — imagem relacionada
A Trama Íntima e Poderosa de "I Matter" — imagem relacionada

Inspirado diretamente em passagens da própria vida de Alina Șerban, I Matter acompanha a jornada de uma jovem Roma que estuda para realizar o sonho de se tornar atriz. No entanto, sua vida é virada do avesso quando ela se depara com a ameaça iminente de ser expulsa do orfanato onde vive ao atingir a maioridade. Sem uma rede de apoio tradicional, ela precisa abraçar sua identidade, enfrentar preconceitos estruturais e encontrar forças para trilhar seu próprio caminho em um mundo que insiste em ignorar sua existência.

O papel principal é defendido pela estreante Denisa Farcaș, cuja atuação tem sido elogiada pela mistura de vulnerabilidade crua e determinação feroz. De acordo com a diretora, o processo de criação de I Matter foi intensamente colaborativo. Șerban trabalhou de perto com Farcaș e o elenco jovem para garantir que eles se sentissem coproprietários daquela história, explorando coletivamente o significado profundo de pertencer e ser aceito.

O longa é uma coprodução internacional robusta que envolve as produtoras microFILM, 2Pilots Filmproduction, Frakas Productions e Lemming Film, com a distribuição internacional e vendas sob a responsabilidade da Pluto Film.

Uma Celebração Coletiva no Lido

Uma Celebração Coletiva no Lido — imagem relacionada
Uma Celebração Coletiva no Lido — imagem relacionada

A passagem de I Matter pelo Festival de Veneza foi planejada por Alina Șerban para ser uma festa comunitária e política. A diretora fez questão de levar quase duas dezenas de membros do elenco para a Itália, incluindo as 16 crianças que interpretaram os órfãos no filme. Para coroar a noite de estreia, a famosa banda Roma Mahala Rai Banda se apresentou ao vivo na passarela do tapete vermelho, transformando o protocolo tradicional do festival em uma celebração vibrante de som e orgulho cultural.

Em entrevista à imprensa internacional durante o evento, Șerban não escondeu o misto de sentimentos que a ocasião proporciona: "Sinto a pressão de carregar todos esses 'pioneirismos', mas também sinto um alívio imenso e uma gratidão profunda por ter conseguido realizar algo que parecia absolutamente impossível. Quero colocar no mundo uma mensagem de dignidade, de celebração e de uma dor que finalmente precisa ser vista e reconhecida."

O Futuro da Representatividade no Cinema Europeu

O Futuro da Representatividade no Cinema Europeu — imagem relacionada
O Futuro da Representatividade no Cinema Europeu — imagem relacionada

O impacto de I Matter deve ecoar muito além dos canais de Veneza. A expectativa é que o longa-metragem garanta uma carreira sólida por outros festivais internacionais de prestígio nos próximos meses, antes de estrear comercialmente nos cinemas europeus e plataformas de streaming.

Para a indústria cinematográfica, o sucesso e a visibilidade de Alina Șerban servem como um lembrete urgente da necessidade de financiamento e distribuição para realizadores de origens sub-representadas. Ao cruzar a barreira de um festival de classe A, I Matter abre portas cruciais para que novas cineastas Roma e de outras minorias étnicas na Europa encontrem espaço para contar suas próprias histórias com a complexidade que merecem.

Fonte original: variety.com

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