Financista por trás de 'Joker' e 'Babylon' é indiciado por esquema Ponzi de US$ 100 milhões
Jason Cloth, ligado a sucessos de Hollywood como 'Joker' e 'Babylon', é acusado de desviar US$ 100 milhões de investidores para projetos imobiliários no Canadá.
O homem por trás de sucessos de Hollywood agora é réu por fraude multimilionária
A indústria cinematográfica e televisiva acaba de ser sacudida por uma revelação que mistura glamour de blockbusters e escândalos financeiros. Jason Cloth, 60, um dos principais financiadores de filmes como Joker (2019), Babylon (2022) e Ghostbusters: Afterlife (2021), foi indiciado em Chicago na manhã desta terça-feira (29/07) por sete acusações de fraude eletrônica (wire fraud). Segundo o Ministério Público dos EUA, Cloth teria desviado cerca de US$ 100 milhões de investidores, prometendo alocar os recursos em projetos cinematográficos e uma plataforma de jogos, mas, na realidade, usou o dinheiro para pagar dívidas de um empreendimento imobiliário no Canadá.
Cloth foi preso em Los Angeles na segunda-feira (28/07), conforme comunicado do escritório do procurador-geral de Chicago. A acusação federal alega que ele mentiu deliberadamente sobre o destino dos investimentos, uma prática clássica de esquemas do tipo Ponzi — onde novos aportes são usados para pagar antigos investidores, sem lastro real em ativos ou projetos concretos.
Como um financiador de Hollywood virou alvo de investigação?
A trajetória de Cloth no cinema começou como um executivo financeiro especializado em viabilizar projetos de alto orçamento. Ele fundou a Creative Wealth Media Finance, que atraiu investidores com a promessa de participação em sucessos como Joker, de Todd Phillips, que faturou mais de US$ 1 bilhão nas bilheterias. No entanto, segundo documentos judiciais e depoimentos de advogados, Cloth não apenas superestimou o retorno para atrair novos recursos como também desviou parte do dinheiro para outros fins.
Em 2024, um tribunal na Flórida condenou Cloth a pagar US$ 19,6 milhões a um investidor que aportou em um projeto televisivo. Curiosamente, Cloth não compareceu ao julgamento: em e-mail enviado à Variety na época, ele afirmou estar "em um momento muito difícil", enquanto tentava justificar sua ausência com a participação no Festival de Cannes. A decisão foi mantida em apelação no ano seguinte.
O elo com o Canadá e a falência da Creative Wealth
A Ontario Securities Commission (OSC), órgão regulador canadense, já havia acusado Cloth em 2023 de arrecadar mais de US$ 500 milhões de 500 investidores (nos EUA e Canadá) sob a promessa de financiar filmes e séries. Segundo a OSC, US$ 50 milhões foram emprestados sem garantias a um desenvolvedor imobiliário em Kingston, Ontário, para a construção de condomínios — dinheiro que jamais foi devolvido. A Creative Wealth Media Finance declarou falência no Canadá naquele mesmo ano.
Uma das vítimas mais notórias é Alexander Loftus, advogado de Chicago que representou um grupo de 137 investidores lesados em mais de US$ 80 milhões, supostamente destinados a Ghostbusters: Afterlife, Monkey Man (2023) e outros projetos. Em entrevista à Variety, Loftus afirmou:
"Ele está nesse esquema há tanto tempo que sua principal estratégia de venda é dizer que investiu em *Joker* e que aquilo foi um sucesso estrondoso. O que ele não conta é que superdimensionou os ganhos e deixou os investidores na mão... A cada novo projeto, ele usa o dinheiro para pagar os antigos. É um ciclo vicioso."
O impacto nas franquias e nos fãs
Apesar do escândalo, os filmes já produzidos com a participação de Cloth não foram afetados financeiramente, uma vez que os recursos desviados não estavam diretamente ligados ao orçamento final das produções. No entanto, o caso levanta questões sobre a transparência do financiamento de Hollywood, especialmente em um momento em que o setor enfrenta pressões econômicas e busca cada vez mais investimentos externos.
Para os fãs, a notícia é um lembrete de que mesmo projetos culturais podem estar ligados a estruturas financeiras opacas. A confiança em financiadores e estúdios passa a ser questionada, e casos como este reforçam a importância de due diligence por parte dos investidores.
O que vem por aí?
- Investigações em andamento: O FBI (Chicago Field Office) está em busca de novas vítimas do esquema. Qualquer pessoa que tenha aplicado recursos com a Creative Wealth Media Finance deve entrar em contato com as autoridades.
- Processos judiciais: Além das acusações criminais, Cloth ainda enfrenta ações civis de investidores que não conseguiram recuperar seus recursos. A OSC canadense e o Ministério Público de Chicago prometem investigações mais profundas.
- Repercussão na indústria: Estúdios e plataformas que trabalharam com Cloth (como Warner Bros. e Legendary Pictures) devem revisar seus contratos e auditorias financeiras para evitar exposição a novos riscos.
- Possível impacto em projetos futuros: Franquias como Joker e Babylon já estão consolidadas, mas o caso pode inibir investidores em projetos de menor porte, que dependem de financiamento externo para sobreviver.
Por que isso importa
"Esse caso não é apenas sobre um homem que desviou dinheiro. É sobre **como Hollywood financia suas ambições** — e quantas vezes a promessa de ‘um novo *Joker*’ ou ‘um *Babylon*’ serve como isca para esquemas que colocam em risco não só o bolso dos investidores, mas a credibilidade de uma indústria que já enfrenta desconfiança do público. Quando os números não batem e os contratos são opacos, até os maiores sucessos do cinema podem esconder um rombo."
Fato vs. Análise vs. Rumor
- Fato: Jason Cloth foi indiciado por sete acusações de fraude eletrônica e enfrenta prisão de até 20 anos por cada acusação. A Creative Wealth Media Finance faliu no Canadá em 2023, e a OSC já havia levantado suspeitas sobre desvios.
- Análise: O caso expõe falhas estruturais no financiamento de Hollywood, onde promessas de retorno em projetos de alto risco podem mascarar esquemas Ponzi. A indústria precisa de maior transparência para evitar novos escândalos.
- Rumor: Não há confirmação oficial de que outros projetos além dos citados (Joker, Babylon, Ghostbusters) tenham sido afetados, mas especulações sobre possíveis irregularidades em outros títulos ainda não foram investigadas.
O que os fãs e investidores devem fazer agora?
- Verificar contratos: Se você investiu em algum projeto ligado à Creative Wealth Media Finance ou Jason Cloth, consulte um advogado para entender suas opções legais.
- Acompanhar atualizações judiciais: O FBI e a OSC devem liberar mais detalhes sobre as investigações nos próximos meses.
- Repensar investimentos em cinema: O caso serve como alerta para priorizar projetos com estruturas financeiras claras e evitar promessas de retorno irreais.
- Ficar de olho em processos similares: Outros financiadores de Hollywood podem estar sob escrutínio, especialmente aqueles com histórico de promessas ambiciosas e pouca transparência.
Conclusão: Hollywood precisa de reformas urgentes?
O escândalo de Jason Cloth não é um caso isolado. Ele se soma a uma série de fraudes e irregularidades no financiamento de entretenimento nos últimos anos, desde esquemas Ponzi até desvios em holdings de mídia. Em um setor cada vez mais dependente de capital externo, a falta de fiscalização pode minar a confiança dos investidores e, consequentemente, a produção de conteúdo.
Enquanto as investigações avançam, uma coisa é certa: o cinema e a TV não são apenas sobre roteiros e atuações — eles também são um jogo de confiança. E quando essa confiança é quebrada, todos pagam o preço.

Fonte original: variety.com