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Eli Roth revela bastidores de 'Ice Cream Man': sangue, crianças e crítica social em novo terror

Eli Roth explica como criou seu novo terror ultra-sangrento, 'Ice Cream Man', com crianças atirando em pais e metáforas sobre sociedade e tecnologia.

O homem do sorvete que virou pesadelo: por que 'Ice Cream Man' é o filme mais doentio do ano

O cinema de horror não tem limites — e Eli Roth sabe disso como poucos. Depois de reinventar o subgênero do torture porn com Hostel e brincar com o terror festivo em Thanksgiving, o diretor volta às origens com Ice Cream Man, uma obra tão absurda quanto visceral, onde crianças seduzidas por um sorvete maldito transformam a cidade em um campo de batalha sangrento. Mas não se engane: por trás da carnificina, há um comentário afiado sobre sociedade, parentalidade e a forma como a tecnologia está moldando — ou corrompendo — as novas gerações.

Lançado pela recém-criada produtora The Horror Section (sim, Roth não brinca em serviço), o filme estreou em julho nos EUA e já é considerado um dos títulos mais perturbadores do ano. A trama segue um vendedor de sorvetes misterioso cujo produto, ao ser consumido, transforma crianças em assassinos em série, decapitando pais, professores e qualquer adulto que se interponha em seu caminho. A premissa simples esconde uma produção que levou mais de duas décadas para sair do papel — e que só foi possível graças à paixão dos atores mirins pelo gênero.

De ideia maluca a pesadelo realizado: a gênese de um filme doentio

A semente de Ice Cream Man brotou em 2003, quando Roth, ainda em seus 20 e poucos anos, teve um insight enquanto ouvia o som característico do sorveteiro nas ruas de Nova York. "Vi um homem no carrinho de sorvete e a música só me trouxe essa memória de criança correndo atrás do sorvete no verão. Mas aí pensei: quem é esse cara? Não sabemos nada sobre ele. E se for um assassino em série?", conta o diretor em entrevista exclusiva ao Polygon. A partir daí, a ideia evoluiu para algo ainda mais perturbador: e se o sorvete não fosse apenas um doce, mas uma ferramenta de manipulação psicológica, um Pied Piper moderno capaz de controlar as mentes das crianças?

Por anos, o projeto foi arquivado. Hollywood o considerou too insane. "As pessoas liam o roteiro e diziam: 'Isso é loucura demais. Você não pode pedir isso às crianças', lembra Roth. Mas a vida pessoal do diretor — especialmente a paternidade — trouxe uma nova camada ao projeto. "Como pai, você passa a entender o medo primordial de não conseguir proteger seus filhos. Não importa quanto você tente criar um ambiente seguro, sempre existe a possibilidade de algo ruim invadir a mente deles e transformá-los contra você. Não há nada mais aterrorizante que isso."

Tecnologia, parentalidade e o Pied Piper contemporâneo

Ice Cream Man não é apenas um filme sobre crianças assassinas. É também uma crítica à forma como a tecnologia está substituindo a atenção dos pais. Em várias cenas, as crianças são vistas hipnotizadas por conteúdos digitais enquanto consomem o sorvete maldito — uma metáfora clara para o controle que dispositivos como smartphones exercem sobre as novas gerações.

"Os pais não estão prestando atenção", diz Roth. "Eles estão no celular enquanto os filhos estão no tablet. Se o telefone se tornar o babysitter, então isso pode acontecer. As crianças estão sendo expostas a conteúdos que elas não entendem, e os pais não estão lá para filtrar. O sorvete é só uma extensão disso: algo inocente na superfície, mas que carrega um vírus de manipulação."

Essa dualidade entre o inocente e o macabro é marca registrada de Roth. Desde Cabin Fever (2002), onde doenças venéreas eram representadas por decomposição corporal, até Hostel (2005), que expôs a vulnerabilidade dos turistas em um mundo de tortura sistematizada, o diretor sempre usou o horror como espelho das ansiedades sociais. Em Ice Cream Man, a ansiedade é a perda de controle — sobre nossos filhos, sobre nossa atenção, sobre o que ingerimos (literalmente e metaforicamente).

Por que isso importa

"Filmes como *Ice Cream Man* são importantes porque eles não apenas chocam — eles provocam. Roth não está aqui para fazer um *slasher* qualquer; ele está usando o terror como uma lupa para examinar os medos mais profundos da sociedade contemporânea: a incapacidade de proteger nossos filhos, a dependência tecnológica e a fragilidade da inocência. Não é à toa que o filme tem crianças como protagonistas — elas são o elo mais vulnerável, mas também o mais perigoso quando corrompidas. O que *Ice Cream Man* faz é exatamente o que o bom terror deve fazer: nos confrontar com nossos próprios pesadelos."

Crianças atores: a arte de brincar com o horror

A maior surpresa de Ice Cream Man não é a violência explícita, mas a forma como Roth conseguiu trabalhar com um elenco de crianças em cenas que beiram o insano. Para o diretor, a chave foi recrutar jovens fãs de horror — muitos deles já familiarizados com obras como Terrifier e The Walking Dead. "Eles não só aceitaram a proposta; eles adoraram", conta Roth. "As mães estavam no set com os monitores, sugerindo cortes mais gore para suas filhas. Os pais, que cresceram assistindo Hostel e Cabin Fever, entendiam perfeitamente o projeto."

A dinâmica no set era caótica, mas funcional. "Eles entravam na maquiagem de monstro e iam direto para a cena. Não queriam sair. Perguntei: 'Quem quer fazer um anjo de sangue?' e uma menina levantou a mão na mesma hora. Estávamos filmando em meio a uma onda de calor, cobertos de xarope de milho e sangue falso, mas eles não ligavam. Só queriam brincar de terror", lembra.

No entanto, não foi tudo fácil. "Temos que parar a cada 45 minutos para as crianças, então tínhamos dois minutos para filmar uma cena com 100 figurantes e 20 dublês", explica Roth. Em uma das tomadas, tudo estava pronto — dublês pendurados, atores prontos — quando uma criança levantou a mão: "Cadê a minha mãe?". Roth teve que esperar enquanto alguém amarrava o sapato de outro ator. "Afinal, eles são crianças. E foi essa a magia: eles transformaram o caos em performance."

O legado de Roth e o futuro do terror

Ice Cream Man chega em um momento em que o cinema de horror está mais diversificado do que nunca. Depois de anos dominado por franquias como The Conjuring e It, o gênero vive um renascimento com obras autorais e experimentais. Roth, que já foi chamado de "rei do torture porn", agora parece interessado em explorar novos territórios — sem abandonar sua assinatura visceral.

A produtora The Horror Section, fundada por ele para lançar o filme, é um sinal de que Roth quer ter mais controle sobre seus projetos. "Não é só sobre fazer um filme; é sobre criar um espaço onde o horror possa ser livremente explorado, sem limites", diz. Com Ice Cream Man, ele prova que ainda tem muito a dizer — e que, aos 54 anos, continua sendo uma das vozes mais relevantes (e assustadoras) do gênero.

O que esperar agora?

  • Lançamento em home video: O filme deve chegar ao streaming e DVD em outubro de 2026, com cenas deletadas e making-of.
  • Tour de horror: Roth já anunciou uma turnê de cinema drive-in nos EUA para promover o filme, com sessões seguidas de debates sobre os temas abordados.
  • Adaptações?: Embora não confirmado, o diretor não descartou a possibilidade de uma sequência ou até mesmo um spin-off focado no Ice Cream Man como personagem.
  • Recepção da crítica: O filme já foi chamado de "obra-prima doentia" por alguns veículos, enquanto outros o consideram um exercício de estilo excessivo. A classificação indicativa nos EUA é R (restrito), devido ao conteúdo extremo.

Para os fãs: o que vem por aí

Se você é fã de Eli Roth ou do cinema de horror extremo, Ice Cream Man é um must-watch — não apenas pela violência, mas pela forma como ele desafia o espectador a refletir sobre sociedade e tecnologia. Para os mais sensíveis, prepare-se: as cenas são tão chocantes quanto necessárias.

E enquanto os debates sobre o filme crescem, uma coisa é certa: Roth não tem medo de ir longe demais. "Eu sempre quis fazer um filme que as pessoas não esquecessem. E, pelo jeito, consegui", finaliza o diretor.

Timeline: Ice Cream Man em resumo

| Data | Evento | |------|--------| | 2003 | Ideia inicial de Roth ao ouvir o som do sorveteiro. | | 2003-2015 | Roteiro desenvolvido, mas rejeitado por Hollywood. | | 2015-2025 | Roth amadurece a ideia enquanto se torna pai. | | 2025 | Filmagens começam com elenco mirim de fãs de horror. | | Julho 2026 | Estreia nos cinemas dos EUA. | | Outubro 2026 | Lançamento em home video com extras. |

Frases-chave de Eli Roth sobre Ice Cream Man

  • "Foi uma experiência joyosa. As crianças não queriam sair do set. Elas amavam aquilo."
  • "O terror é sobre enfrentar seus medos. E o maior medo de um pai? Que seus filhos se voltem contra ele."
  • "O sorvete é a metáfora perfeita: algo que parece inocente, mas pode te matar."
  • "Se o celular é o babysitter, então estamos ferrados."

Como assistir?

  • Cinemas: O filme ainda está em cartaz em algumas salas dos EUA e Europa.
  • Streaming: Plataformas como Shudder e AMC+ já adquiriram os direitos para lançamento digital.
  • Físico: DVD e Blu-ray com cenas deletadas e documentário sobre a produção.

Conclusão: um filme que divide, mas não deixa indiferente

Ice Cream Man não é para todos. É um filme que vai te chocar, te deixar sem dormir e, acima de tudo, te fazer pensar. Eli Roth, mais uma vez, prova que o horror pode ser muito mais do que sustos baratos — pode ser um espelho da sociedade, uma crítica afiada e, acima de tudo, uma obra de arte doentia.

Para os fãs do gênero, é uma adição obrigatória à coleção. Para os que buscam reflexão, é um convite para olhar de perto os medos que nos assombram. E para os que só querem sangue? Bom, eles também vão sair satisfeitos.

O homem do sorvete já está entre nós — e ele está com fome.

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Fonte original: www.polygon.com

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