Elden Ring: A revelação de dois anos de jogo mal jogado e o que os fãs devem aprender com isso
Uma jornalista revela como jogou Elden Ring de forma 'errada' por dois anos, desafiando a cultura de aprendizado rápido nos games e redefinindo a experiência de
"Eu joguei Elden Ring errado por dois anos": a confissão que redefine como encaramos os Souls
Em 24 de fevereiro de 2022, Simone de Rochefort, jornalista da Polygon, apertou o botão de início de Elden Ring pela primeira vez. Era lançamento, sua estreia nos Soulsborne, e o que deveria ser uma aventura épica se transformou, nas palavras dela, em uma maratona de sofrimento autoinfligido — não por culpa do jogo, mas por suas próprias assinaturas de ansiedade e pressupostos equivocados. Dois anos e mais de 200 horas depois, ela confessou: não tinha a menor ideia de como jogar direito.
E não foi só ela. A revelação abalou uma comunidade que, por anos, construiu uma cultura de "sofra e aprenda" em torno da franquia FromSoftware. Mas será que o problema era mesmo do jogador — ou da forma como os Souls são apresentados ao mundo?
O que aconteceu: uma jornada de desinformação (e orgulho ferido)
Rochefort não é uma novata em games. Ela jogou Hades, Dead Cells, e até mesmo outros títulos desafiadores. Mas Elden Ring foi diferente. Desde o primeiro minuto, ela traçou roteiros de vitória baseados em jogos anteriores, ignorando o que o título realmente pedia: exploração, paciência e, acima de tudo, adaptação. Em vez de se render ao design deliberadamente opaco da FromSoftware, ela criou uma narrativa pessoal de fracasso que durou anos.
Fatos confirmados: - O jogo foi lançado em 25 de fevereiro de 2022 pela FromSoftware e distribuído pela Bandai Namco. - Rochefort começou a jogar no dia do lançamento. - Ela nunca concluiu o jogo até a data da publicação do artigo (6 de agosto de 2026). - O artigo não cita nenhuma atualização ou DLC relevante que pudesse justificar a demora, indicando que o problema era interpretativo.
Análise editorial: A confissão de Rochefort expõe uma fenda na cultura dos Soulsborne: a crença de que sofrimento é sinônimo de habilidade. Muitos jogadores, especialmente aqueles novos no gênero, entram em Elden Ring esperando um desafio técnico — como em Dark Souls ou Sekiro — e se frustram quando descobrem que o verdadeiro desafio é entender o espaço, não a luta. A FromSoftware nunca escondeu isso: seus jogos são labirintos narrativos e físicos, onde o mapa é uma personagem silenciosa.
Por que isso importa
"Eu não joguei *Elden Ring* errado. Eu joguei *Elden Ring* da forma como fui treinada para jogar games: rápido, eficiente, sem perder tempo. Mas *Elden Ring* não é sobre eficiência. É sobre **perder-se para se encontrar**. E isso é revolucionário em uma indústria que nos ensina a consumir conteúdo como fast food." > — Simone de Rochefort, *Polygon* (6 de agosto de 2026)
A frase resume tudo. Em uma era onde games são cada vez mais acessíveis, lineares e recompensadores instantaneamente, Elden Ring representa o oposto: um convite para desacelerar, observar e falhar. A revelação de Rochefort não é sobre a qualidade do jogo — que já foi amplamente aclamada pela crítica e público — mas sobre como a cultura gamer lida com a derrota. Muitos jogadores se orgulham de dizer que "conquistaram" um Soulsborne, como se fosse uma prova de virtude. Mas e quando o jogo não é sobre conquista?
O contexto: por que Elden Ring quebra o molde
Lançado em 2022 como o primeiro Soulsborne de mundo aberto, Elden Ring expandiu o legado da FromSoftware para além dos calabouços claustrofóbicos de Dark Souls. Com a colaboração de George R.R. Martin (Game of Thrones) na lore, o jogo ofereceu um mundo vasto, misterioso e, acima de tudo, generoso — mas apenas para aqueles dispostos a ler as pistas escondidas.
Fatos-chave: - Direção criativa: Hidetaka Miyazaki (FromSoftware) + George R.R. Martin (conceito inicial da lore). - Mecânicas: Combinação de RPG, Souls e mundo aberto, com chefes opcionais e áreas secretas. - Recepção crítica: 96/100 no Metacritic, considerado um dos melhores jogos de todos os tempos.
Rumores (não confirmados): - Havia planos de uma expansão ou DLC em 2026, mas nada foi anunciado oficialmente pela FromSoftware. - Alguns jogadores especulam que a dificuldade do jogo foi intencionalmente reduzida em Elden Ring Nightreign (lançamento em 2025), mas não há provas.
Análise: A confusão de Rochefort reflete um problema estrutural no consumo de games modernos. Jogos como Call of Duty ou Fortnite treinam os jogadores para otimizar cada segundo, enquanto Elden Ring premia aqueles que se permitem perder tempo. Não é à toa que muitos fãs da franquia são também leitores vorazes, músicos ou artistas — eles já estão acostumados a processar informação de forma não linear.
O impacto: uma lição para a comunidade gamer
A revelação de Rochefort gerou reações polarizadas nas redes. Alguns jogadores riram, outros se identificaram, e muitos defenderam o "jeito certo" de jogar Soulsborne. Mas o maior impacto foi colocar em xeque a narrativa de que sofrimento = habilidade.
Para os fãs: - Reavaliação do gameplay: Muitos estão revisitando Elden Ring com abordagens mais relaxadas, como focar em passeios pelo mundo em vez de chefes. - Guildas de ajuda: Comunidades como r/eldenring estão organizando "modos relax" e dicas para novos jogadores. - Críticas à cultura tóxica: A ideia de que "se você morreu, é burro" foi questionada por jogadores que, como Rochefort, levaram anos para entender o jogo.
Para a indústria: A discussão levanta uma pergunta incômoda: os games estão se tornando viciados em mecânicas de recompensa instantânea? Se Elden Ring — um jogo de 2022 — já exige tamanha mudança de mentalidade, o que dizer de títulos mais recentes, como Helldivers 2 ou Starfield, que mesclam acessibilidade com profundidade?
O que acompanhar a seguir: além da confissão
Enquanto a FromSoftware não anunciou novos projetos pós-Elden Ring (apesar de rumores sobre Armored Core VI e um possível Elden Ring 2), há três frentes para os fãs ficarem de olho:
- Atualizações comunitárias:
- - Mapas interativos (como Elden Ring Interactive Map da Lurking Legends) estão ganhando novas camadas de informação, incluindo áreas nunca mapeadas antes.
- - Mods como Elden Ring: Shadows of Reach (expansão não oficial) estão sendo desenvolvidos por fãs, oferecendo novas histórias no mesmo mundo.
- Análises profundas:
- - Canais como VaatiVidya e Elden Ring Lore estão lançando séries sobre detalhes ocultos do jogo, como a conexão com Dark Souls e Bloodborne.
- - Livros como The World of Elden Ring (ainda sem data oficial) prometem explorar a lore de forma mais acessível.
- Eventos e colaborações:
- - A FromSoftware pode anunciar uma edição remasterizada ou uma collab com outro estúdio, como já aconteceu com Sekiro e Star Wars Jedi: Survivor.
- - O Festival da Gamescom 2026 (previsto para agosto) poderia revelar algo novo, embora não haja confirmações.
Conclusão: o jogo certo para o jogador errado
Simone de Rochefort não jogou Elden Ring errado. Ela jogou o jogo certo para o jogador que ela era em 2022 — ansiosa, impaciente e presa a uma mentalidade de performance. Mas Elden Ring não é sobre performance. É sobre descoberta, e nisso, todos os jogadores estão certos. Afinal, mesmo os desenvolvedores da FromSoftware admitem: eles mesmos não sabem tudo sobre o mundo do jogo.
Se há uma lição aqui, é que os games não precisam ser fáceis para serem justos — e que, às vezes, o maior obstáculo não está na tela, mas na nossa própria cabeça. Agora, enquanto Rochefort finalmente aceita que pode jogar Elden Ring do jeito que quiser, milhões de jogadores ao redor do mundo estão reaprendendo a jogar — e isso, por si só, já é uma vitória.
E você? Como você joga Elden Ring? 🎮⚔️

Fonte original: www.polygon.com