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Colômbia leva ao Locarno um drama histórico com poesia e mistério

Filme colombiano 'In All My Journeys I Am Returning' estreia no Locarno 2026, com direção de Manuel Ponce de León e produção da Los Niños Films.

Um filme colombiano no Locarno: quando a poesia encontra a história

O Locarno Film Festival, um dos mais prestigiados do mundo, recebe em sua 79ª edição um filme que promete ser um dos destaques de 2026: In All My Journeys I Am Returning (Todos mis viajes son viajes de regreso), estreia do diretor colombiano Manuel Ponce de León. Com produção da Los Niños Films e distribuição internacional pela Lights On, a obra estreia no dia 5 de agosto, na competição Filmmakers of the Present, pela qual a distribuidora italiana já participou cinco vezes consecutivas.

O longa-metragem, rodado ao longo da bacia do rio Magdalena — uma das vias navegáveis mais importantes da Colômbia — e na cidade colonial de Honda, transporta o espectador para o início do século XIX, quando uma jovem sueca e seu marido embarcavam em uma expedição em busca de uma lendária mina de ouro. Mas o que começa como uma jornada geográfica logo se transforma em uma reflexão sobre exílio, memória e pertencimento, com a história se dissolvendo entre passado e presente.

Por que isso importa

*“Trata-se de uma estreia excepcionalmente audaciosa e distinta, que acreditamos ressoará com audiências ao redor do mundo.”* > — **Flavio Armone**, co-fundador e diretor da Lights On

O filme não é apenas uma narrativa histórica, mas uma meditação visual sobre como a história se entrelaça com a memória pessoal. Ponce de León, que estudou cinema em Berlim e filosofia na Colômbia, bebe da obra do poeta colombiano León de Greiff — cuja frase "Todos mis viajes son viajes de regreso" (Todos os meus viagens são viagens de retorno) dá título ao longa. A poesia de Greiff, assim como o rio Magdalena, são elementos centrais que unem passado e presente, realidade e sonho.

A magia do acaso: atores, encontros e coincidências

A descoberta dos atores principais é tão cinematográfica quanto a trama do filme. Camila Bejarano Wagner, a atriz sueca que interpreta a protagonista feminina, descobriu que sua avó havia sido amante de León de Greiff — e que o poeta lhe havia presenteado com cartas de amor e até um jogo de Scrabble.

*“Quando Camila explicou que o filme era inspirado em León de Greiff, suas tias contaram que a avó dela havia sido sua amante. Encontraram postais e cartas assinadas por ele, além do próprio jogo de Scrabble que ele usava para brincar com ela.”* > — **Manuel Ponce de León**, diretor

Já o ator sueco Fredrik Lundin, que interpreta o marido da protagonista, foi encontrado em uma pequena vila no Círculo Polar Ártico, onde todos os anos se celebra um festival em homenagem a León de Greiff e seu alter ego, Gaspar de la Noche — um tributo improvável a um poeta colombiano em terras suecas.

Um filme que respira história e poesia

Ponce de León não esconde sua paixão pela literatura e pela filosofia. Seu curta-metragem anterior, Beyond the Night, também foi filmado às margens do Magdalena, perto de Honda — uma cidade conhecida como "Cidade das Pontes", devido aos seus mais de 40 viadutos coloniais. O diretor desenvolveu uma relação criativa tão forte com o local que decidiu ali filmar seu longa.

A estética do filme, marcada por tons sépia evocativos, foi cuidadosamente construída para refletir a passagem do tempo e a fusão entre realidade e memória. A fotografia, assinada por Angello Faccini (colaborador de longa data de Ponce de León), usa a luz e a água do Magdalena como metáforas de um passado que nunca deixa de fluir.

O elenco e a magia do multilinguismo

O filme conta com diálogos em espanhol, sueco, francês e polonês, graças à participação do ator francês Denis Lavant em um papel fundamental. A diversidade linguística não é apenas um detalhe: ela reforça a ideia de que a identidade é fluida e que os personagens estão constantemente em trânsito — tanto geográfico quanto emocional.

Impacto para os fãs e o que esperar do Locarno 2026

Para os fãs de cinema autoral e narrativas que desafiam fronteiras, In All My Journeys I Am Returning promete ser uma experiência única. O filme não apenas representa a Colômbia em um dos festivais mais influentes do mundo, como também reinventa o cinema histórico, transformando-o em uma obra de arte poética e filosófica.

O que acompanhar a seguir

  • Estreia mundial: 5 de agosto, no Locarno Film Festival (competição Filmmakers of the Present).
  • Distribuição: Lights On já garantiu direitos internacionais, o que deve acelerar lançamentos em outros festivais e mercados.
  • Prêmios e repercussão: Se o longa for bem recebido, é forte candidato a prêmios como Melhor Filme de Estreia ou Melhor Fotografia.
  • Projeções especiais: Devido ao interesse da crítica, é possível que haja exibições adicionais em cinemas europeus antes do lançamento comercial.

Por trás das câmeras: uma produção que nasceu do acaso e da paixão

O projeto de Ponce de León não começou como um filme épico sobre a Colômbia colonial. Na verdade, tudo começou com a obsessão pelo rio Magdalena e pela poesia de León de Greiff. O diretor confessou que, durante anos, não percebeu o quanto o rio e o poeta estavam presentes em seus trabalhos anteriores — até que um colega lhe perguntou: "Por que sempre tem um rio na sua obra?"

*“O rio é um espaço de memória, um lugar onde diferentes tempos convergem, quase como um veículo do tempo em si.”* > — **Manuel Ponce de León**

Essa descoberta levou a uma reflexão mais profunda sobre como a água e a palavra escrita podem ser portais para o passado. E, no caso de In All My Journeys I Am Returning, o passado não é apenas revisitado — ele é vivido novamente.

O que os fãs devem saber

  • Estilo visual: Sepia tones intensos, fotografia contemplativa e uma narrativa não-linear.
  • Temas centrais: Exílio, identidade, memória, poesia e a busca por pertencimento.
  • Contexto histórico: A Colômbia do início do século XIX, marcada por conflitos coloniais e pela exploração do ouro.
  • Inspirações literárias: León de Greiff, poeta colombiano do século XX, cuja obra permeia toda a narrativa.

Conclusão: um filme que transcende fronteiras

In All My Journeys I Am Returning não é apenas um filme colombiano — é uma obra universal sobre o retorno, seja à terra natal, à memória ou a si mesmo. Com uma equipe internacional, uma história que mistura realidade e ficção, e uma estética que homenageia tanto o cinema mudo quanto a poesia contemporânea, o longa de Ponce de León promete deixar sua marca no Locarno 2026.

Se o festival já é conhecido por descobrir novos talentos, este é o momento de ficar de olho em Manuel Ponce de León — e, quem sabe, em sua próxima viagem cinematográfica.

Ficha técnica (até o momento)

  • Título original: Todos mis viajes son viajes de regreso (inglês: In All My Journeys I Am Returning)
  • Direção: Manuel Ponce de León
  • Roteiro: Manuel Ponce de León
  • Fotografia: Angello Faccini
  • Produção: Los Niños Films (Manuel Ponce de León, Daniela Rocha Giraldo, Ana Winograd, Héctor Ulloque)
  • Elenco: Camila Bejarano Wagner, Fredrik Lundin, Denis Lavant
  • Lançamento: 5 de agosto de 2026 (Locarno Film Festival)
  • Distribuição internacional: Lights On
  • Países envolvidos: Colômbia, Suécia, França, Polônia (co-produção)

Não perca: - Locarno Film Festival (5 a 15 de agosto de 2026) - Possíveis estreias em festivais como Toronto ou San Sebastián, caso o filme ganhe tração. - Lançamento comercial: A confirmar, mas já há expectativa por uma distribuição estratégica em cinemas de arte e festivais.

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Fonte original: variety.com

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