Beast of Reincarnation: O novo Soulslike da Game Freak é ‘tudo ao mesmo tempo agora’ — e os críticos não estão convencidos
Game Freak lança Soulslike pós-apocalíptico com 74 no Metacritic; mistura de Sekiro e Final Fantasy VII Remake divide opiniões.
Game Freak prova que até os reis do Pokémon podem errar — e muito
A Game Freak lançou um Soulslike radicalmente diferente de sua assinatura. Mas os críticos estão divididos: é uma reinvenção ou só mais do mesmo?
Se você acha que a Game Freak só sabe fazer Pokémon, prepare-se para uma surpresa. A desenvolvedora, famosa por suas criaturas colecionáveis e batalhas táticas, acaba de lançar um jogo de ação que não tem nada a ver com o universo dos monstrinhos. Beast of Reincarnation, lançado hoje (4 de agosto de 2026) para PS5, Xbox Series X e PC, é um Soulslike pós-apocalíptico que parece ter sido teletransportado de um futuro distópico direto para os dias atuais. E, pelo menos segundo os primeiros críticos, o resultado é tão polarizante quanto uma batalha entre Charizard e Blastoise.
Com uma nota média de 74 no Metacritic (baseada em 27 reviews no momento da publicação), o jogo não decepcionou — mas também não encantou. Enquanto alguns elogiam a profundidade do mundo e a intensidade dos combates, outros o chamam de "sem alma", "transparente" e até mesmo "chato". Afinal, o que há de tão especial — ou tão frustrante — em Beast of Reincarnation? Vamos destrinchar os prós, os contras e o que isso significa para o futuro da Game Freak fora do universo Pokémon.
Um apocalipse japonês com direito a cachorro fiel
Beast of Reincarnation se passa em um Japão futurista devastado por uma catástrofe misteriosa, onde a humanidade luta para sobreviver em meio a ruínas e perigos sobrenaturais. A trama acompanha um protagonista silencioso (como manda o manual dos Soulslikes) que, além de enfrentar hordas de inimigos, conta com a ajuda de Ku, um cão companheiro que lembra um shiba inu estilizado. Sim, a Game Freak não esqueceu suas raízes: até em um jogo de ação pesada, tem espaço para um bichinho fofo.
O visual é uma mistura de neon e decadência, com ambientes que vão de florestas sombrias a cidades abandonadas cobertas de vegetação. A trilha sonora, por sua vez, oscila entre sons eletrônicos distorcidos e melodias melancólicas, criando uma atmosfera que lembra NieR: Automata — outro Soulslike que também explora temas existenciais em um mundo em colapso.
Mas por que os críticos estão comparando Beast of Reincarnation com praticamente todo Soulslike lançado nos últimos anos?
Sekiro, FFVII Remake e Nier: os fantasmas que perseguem o jogo
Se você jogou Sekiro: Shadows Die Twice, Final Fantasy VII Remake ou NieR: Automata, já vai saber o que esperar de Beast of Reincarnation: combate preciso, chefões desafiadores e um sistema de progressão que premia a paciência (e a sorte). Só que, segundo os avaliadores, o novo jogo da Game Freak não consegue superar suas inspirações — e, em alguns casos, nem sequer chega perto.
- IGN (6/10): Travis Northup escreveu que o jogo tenta ser uma mistura de Sekiro com o FFVII Remake, mas acaba soando como uma "colcha de retalhos" mal costurada. Os combates são rápidos e recompensadores, mas os inimigos repetem as mesmas três ou quatro manobras até enjoar. Além disso, os parry windows (janelas de defesa) são tão generosos que até um iniciante consegue escapar ileso de situações que deveriam ser mortais.
- Eurogamer (3/5): Matt Wales criticou a falta de clareza nos sistemas do jogo. "É como se a Game Freak jogasse tudo no jogador sem nenhuma explicação", escreveu. Ele também destacou que o manual interno é quase obrigatório para entender como as mecânicas funcionam — uma falha grave em um jogo que já é complexo por natureza.
- Game Informer (6/10): Wesley LeBlanc foi ainda mais duro: chamou Beast of Reincarnation de "sem alma" e "transparente", dizendo que o jogo não conseguiu transmitir nenhuma emoção real. Os combates, porém, foram elogiados como tensos e satisfatórios, especialmente em batalhas contra chefões.
- Giant Bomb: Shawn McDowell concordou com os colegas, chamando a história e os personagens de "fracos" e "desinteressantes". Mas, assim como os outros, admitiu que o sistema de luta tem seus momentos.
A exceção ficou por conta do GamesRadar (4,5/5), onde Luke Kemp enxergou profundidade no mundo e na narrativa. Para ele, Beast of Reincarnation surpreende ao explorar temas filosóficos sem ser óbvio. "É fácil cair na armadilha de pensar que o jogo é só mais um Soulslike com tropos batidos", escreveu. "Mas quando você começa a desvendar as camadas do mundo e das pessoas que vivem nele, percebe que há uma riqueza que muitos jogos do gênero não oferecem."
Por que isso importa
*Beast of Reincarnation não é um fracasso, mas também não é uma obra-prima. Ele é o que acontece quando uma desenvolvedora decide experimentar fora de sua zona de conforto sem ter certeza do que está fazendo. A Game Freak, famosa por criar um dos RPGs mais influentes da história, prova que até os mestres do *Pokémon* podem errar — e isso é uma lição valiosa para toda a indústria.*
Fato: O jogo foi lançado em 4 de agosto de 2026 para PS5, Xbox Series X e PC, com uma média de 74 no Metacritic.
Rumor: Alguns fãs especulam que a Game Freak pode estar desenvolvendo outros projetos fora do universo Pokémon, mas não há confirmações oficiais.
Análise: Beast of Reincarnation é um jogo que tenta abraçar o estilo Soulslike com um coração JRPG, mas acaba se perdendo no caminho. Os sistemas são complexos, mas mal explicados; os combatentes são recompensadores, mas os inimigos são previsíveis; a estética é impressionante, mas a narrativa é rasa. É um jogo que tem potencial, mas que não consegue entregá-lo de forma consistente.
Ku, o cão que rouba a cena (mesmo em um Soulslike)
Em meio a tanta discussão sobre mecânicas e influências, um personagem chamou a atenção dos críticos: Ku, o cão companheiro do protagonista. No jogo, Ku não é apenas um animal fofo — ele tem habilidades únicas que ajudam nas batalhas, como detectar inimigos ou curar o jogador. Alguns avaliadores chegaram a dizer que Ku é o elemento mais memorável do jogo, provando que, mesmo em um título adulto e sombrio, a Game Freak não esqueceu suas raízes Pokémon.
"É estranho admitir, mas o cachorro é o personagem que mais me emocionou nesse jogo", confessou um revisor do Polygon. "Ele tem uma personalidade simples, mas carismática, e suas ações fazem você se importar com o mundo ao redor."
O que os fãs devem esperar — e o que vem por aí
Para os fãs de Pokémon, Beast of Reincarnation é um lembrete de que a Game Freak não é apenas a desenvolvedora por trás do mundo de Ash e Pikachu. A empresa já produziu jogos como Bushi Road e Tembo the Badass Elephant, mas nenhum deles teve tanto impacto quanto Pokémon. Agora, com Beast of Reincarnation, a desenvolvedora está tentando mostrar que pode explorar outros gêneros — mas, pelo menos pelos primeiros reviews, ainda está dando seus primeiros passos.
O que acompanhar agora: - Atualizações futuras: Se a Game Freak lançar DLCs ou ajustes de balanceamento, o jogo pode melhorar significativamente. Muitos Soulslikes levam meses para atingir seu potencial máximo. - Reação dos jogadores: Reviews de críticos são uma coisa, mas a opinião dos jogadores pode ser bem diferente. Beast of Reincarnation pode se tornar um sleeper hit (sucesso surpreendente) se a comunidade abraçar o título. - Próximos projetos da Game Freak: Se a desenvolvedora continuar investindo em jogos fora do universo Pokémon, isso pode sinalizar uma nova era para a empresa — ou um desserviço à sua marca.
Conclusão: Um passo arriscado que pode (ou não) valer a pena
Beast of Reincarnation não é um jogo ruim — longe disso. Ele tem momentos brilhantes, especialmente nos combates e na estética, mas também erra feio ao não entregar uma narrativa ou sistemas tão coesos quanto seus inspiradores. É um título que parece ter sido feito por uma equipe dividida entre o desejo de inovar e o medo de se afastar demais do que já conhecemos.
Para a Game Freak, o lançamento de Beast of Reincarnation é um experimento. Para os fãs de Pokémon, é um lembrete de que seus criadores são capazes de mais do que apenas monstrinhos fofos. E para os jogadores, é mais um Soulslike na prateleira — não o melhor, não o pior, mas um que vale a pena experimentar, mesmo que só para ver até onde a Game Freak está disposta a ir.
Nota final: Se você gosta de Soulslikes e não se importa com uma narrativa fraca, Beast of Reincarnation pode ser uma boa pedida. Caso contrário, espere por algo mais sólido — ou torça para que a Game Freak aprenda com os erros e volte mais forte na próxima vez.

Fonte original: www.polygon.com