Argentino 'The Days Off' estreia em Locarno com venda mundial pela Inwave e promete redefinir cinema jovem
Filme de estreia de Lucila Mariani, 'The Days Off', estreia em Locarno em 7/8 com venda global da Inwave. Mistura drama de formação com ficção científica oníric
"The Days Off": o filme argentino que vai fazer você repensar a realidade (e a crise econômica) em Locarno
Um debute que já faz barulho antes mesmo de estrear
O 79º Festival de Locarno não decepciona em 2026. Enquanto o mundo discute blockbusters e franquias, o festival europeu — conhecido por apostar em vozes autorais e narrativas ousadas — estreia nesta quinta-feira, 7 de agosto, The Days Off (Los Días Libres), o primeiro longa-metragem da argentina Lucila Mariani. E a notícia mais surpreendente não é a estreia em si, mas o pacote de direitos de venda internacional que a Inwave Films (Paris/Beijing) já fechou antes mesmo do lançamento, um sinal claro de que o filme deve circular rápido por festivais e plataformas.
Produzido pela Maravillacine (Argentina) em parceria com produtoras do Brasil, México e França, The Days Off é uma mistura única de drama de formação com elementos de ficção científica onírica, onde a crise econômica argentina se funde à busca de uma criança por pertencimento em um mundo cada vez mais fragmentado pela tecnologia.
A trama: quando a realidade vira pesadelo (ou escape?)
Ambientado nos primeiros dias de verão de 2026, o filme acompanha Bego (Antonia Robolini), uma garota de 12 anos deixada sozinha enquanto sua família lida com inflação galopante, apagões constantes e um eclipse solar iminente. Com a mãe ocupada, Bego recorre ao celular da família e conhece REN__, um amigo virtual que a introduz ao conceito de shifting — uma prática online onde adolescentes usam sonhos lúcidos e paralisia do sono para tentar "pular" para uma realidade desejada.
O que começa como uma forma de escapismo se transforma em um pesadelo psicológico quando as pessoas ao redor de Bego começam a entrar em um estado de apatia extrema, descrito como "eclipsadas" — uma metáfora poderosa para o desespero coletivo em tempos de crise. A fronteira entre imaginação, realidade digital e física começa a se dissolver, levando o espectador a uma experiência imersiva e desconcertante.
**Por que isso importa:** > *"Este filme não é apenas sobre uma criança tentando sobreviver à crise econômica argentina, mas sobre como a geração Z — especialmente no Sul Global — está criando seus próprios mundos para escapar de um presente insustentável. É uma obra que dialoga com *Euphoria*, *Everything Everywhere All at Once* e até mesmo *The Matrix*, mas com uma voz própria, profundamente latino-americana."*
O contexto: crise econômica como pano de fundo (e personagem)
A Argentina de 2026 não é um cenário futurista, mas uma extrapolação realista de uma economia à beira do colapso. A inflação, os apagões e a sensação de impotência não são mera ficção: são reflexos de uma crise que já dura anos, agravada pela pandemia e pelas políticas econômicas instáveis. Mariani, que desenvolveu o projeto com apoio de INCAA (Instituto Nacional de Cine y Artes Audiovisuales da Argentina), Ibermedia e ArteKino, transforma essa realidade em algo poético e assustadoramente familiar.
"É um filme que fala sobre intimidade e espiritualidade em tempos de desesperança", declarou a diretora. "Quero que as pessoas busquem esperança em lugares que outros não veem — inclusive naqueles que criamos dentro de nós mesmos."
A estética: realidade misturada a pixels e sonhos
The Days Off não é um filme convencional. Com direção de fotografia de Victoria Pereda (conhecida por The Human Surge 3), o longa usa uma mistura de imagens de celular, webcam, câmeras de segurança e takes longos e observacionais para criar uma textura visual única. O som, assinado por Gaspar Schauer, e a trilha de Punto y Pacífico completam essa atmosfera sonhadora e claustrofóbica.
A atriz Laura Paredes (Trenque Lauquen, Argentina, 1985) interpreta a mãe de Bego, enquanto Antonia Robolini entrega uma performance que oscila entre a inocência infantil e a maturidade forçada pela adversidade. O elenco é completado por Luiza Quinteiro e Guillermo Berthold, nomes em ascensão no cinema latino.
Por que os fãs de cinema devem ficar de olho?
1. Um retrato generacional (que não é só sobre a Argentina)
Embora o filme se passe na Argentina, a história de Bego ressoa em qualquer lugar onde a juventude enfrente crises econômicas, isolamento digital e a busca por identidade. É um coming-of-age para a era do TikTok e dos sonhos lúcidos, onde a linha entre o real e o virtual é cada vez mais tênue.
2. A venda mundial pela Inwave: o que isso significa?
A Inwave Films, especializada em vendas internacionais, já garantiu direitos para distribuição global. Isso pode significar: > - Exibição em festivais como Toronto, San Sebastián ou AFI Fest (onde o filme tem potencial para premiações). > - Lançamento em plataformas de streaming (Netflix, MUBI ou Amazon Prime, que têm buscado filmes autorais com apelo jovem). > - Distribuição em salas de cinema em mercados como França, Espanha e Ásia, onde o cinema latino contemporâneo tem ganhado espaço.
3. Um novo nome no cinema latino: Lucila Mariani
Mariani não é uma desconhecida: ela já trabalhou com nomes como Lisandro Alonso (Jauja, La Libertad) e Lucrecia Martel (Zama). The Days Off marca sua estreia como diretora, mas já mostra um estilo pessoal e arriscado, algo que pode colocá-la no radar de críticos e programadores de festivais.
O que vem por aí: datas, prêmios e próximos passos
- 📅 Estreia mundial: 7 de agosto de 2026, na seção Filmmakers of the Present do Locarno Film Festival (que vai até 15 de agosto).
- 🎬 Prêmios em potencial: O filme já ganhou o ArteKino Award no San Sebastián Co-Production Forum, um indicativo de que pode ser bem recebido pela crítica.
- 🌍 Próximos festivais: Se Locarno for bem-sucedido, o filme deve seguir para Toronto, San Sebastián ou Berlim, onde poderia conquistar mais atenção.
- 📺 Plataformas: Dependendo dos acordos de distribuição, é possível que The Days Off chegue a MUBI, Netflix ou Amazon Prime em 2027.
Onde assistir e como acompanhar
- 🎥 Locarno 2026: Se você estiver na Suíça, não perca a estreia na Piazza Grande (onde o festival exibe os principais títulos ao ar livre).
- 📱 Redes sociais: Siga a Inwave Films (@inwavefilms) e Maravillacine (@maravillacine) para atualizações sobre vendas e lançamentos.
- 🎬 Críticas especializadas: Veja o que dizem os críticos no Locarno, mas também fique atento a ScreenDaily, IndieWire e Cahiers du Cinéma nas próximas semanas.
Conclusão: um filme que pode mudar a forma como vemos o cinema jovem
The Days Off não é apenas mais um filme sobre crise econômica ou adolescência. É uma obra que desafia gêneros, misturando drama social, ficção científica onírica e coming-of-age, com uma estética que lembra os melhores trabalhos de Guillermo del Toro em sua fase mais experimental ou Lucrecia Martel em sua abordagem psicológica.
Para os fãs de cinema autoral, é uma oportunidade de descobrir um novo talento (Lucila Mariani) e um filme que pode se tornar cult nos próximos anos. Para os amantes de narrativas que exploram a mente humana e a tecnologia, é uma experiência visceral e reflexiva.
O futuro do cinema argentino (e não só) está chegando — e ele é onírico, político e profundamente humano.
🔥 O que você acha? The Days Off pode ser o próximo Everything Everywhere All at Once do cinema latino? Compartilhe sua opinião nos comentários!
(E não esqueça: se você gosta de cinema experimental e dramas jovens, já anote na agenda: 7 de agosto, Locarno.)

Fonte original: variety.com